A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a Butantan-DV, primeira vacina do mundo contra a dengue capaz de conferir proteção com apenas uma aplicação. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan e indicado inicialmente para indivíduos de 12 a 59 anos, deverá ser inserido no Programa Nacional de Imunizações após definição do Ministério da Saúde.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, “a vacina apresentou eficácia de aproximadamente 75% contra a dengue e superior a 90% para quadros graves e internações”, afirmou, destacando a consistência dos dados submetidos ao órgão regulador. A autorização ocorre em meio a um cenário epidemiológico crítico: o Brasil encerrou 2024 com 6,5 milhões de casos prováveis da doença e ultrapassou 1,6 milhão de registros em 2025.
Antes mesmo da decisão da Anvisa, o Butantan já havia iniciado a produção do imunizante. A instituição dispõe de mais de 1 milhão de doses prontas para distribuição ao PNI. Para ampliar a capacidade de fabricação, o instituto firmou parceria com a empresa chinesa WuXi, com previsão de entrega de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
Os dados que embasaram a aprovação fazem parte de um ensaio clínico de fase 3, conduzido ao longo de cinco anos e realizado com mais de 16 mil voluntários de 14 estados. A vacina, que contempla os quatro sorotipos do vírus, demonstrou eficácia geral de 74,7% e 100% de proteção contra hospitalizações, sendo segura tanto para quem já teve dengue quanto para quem nunca foi infectado.
A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única contra a dengue, característica que pode facilitar campanhas de vacinação, ampliar a adesão e acelerar a cobertura em situações de emergência sanitária. Estudos para avaliar seu uso em pessoas de 60 a 79 anos foram autorizados, e análises adicionais definirão a eventual inclusão de crianças entre 2 e 11 anos.
As reações registradas foram leves ou moderadas, como dor no local da aplicação e fadiga, e os eventos adversos graves foram raros, com recuperação integral dos voluntários. O Ministério da Saúde ainda anunciará o cronograma de início da administração no país.
Por Lorena Correia, da Redação Xodó News
*Com informações do G1