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Brasil introduz modelo próprio de previsão de mudanças climáticas globais

Publicado em 21 fevereiro 2013

Por Clara Nobre de Camargo

Há cerca de dois anos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), foi responsável pela criação do terceiro maior supercomputador do mundo capaz de fazer previsões operacionais de tempo e clima, além de prever mudanças climáticas.

Batizado de Tupã, nome dado ao deus do trovão na cultura tupi, o supercomputador criou condições para que pesquisadores radicados no Brasil desenvolvessem um modelo legitimamente brasileiro de sistema climático global. Enquanto a maioria dos países prefere importar modelos climáticos de potências mais desenvolvidas tecnologicamente, como a Austrália fez ao adotar o sistema britânico do Hadley Centre for Climate Prediction and Research, o Brasil escolheu agir por conta própria e agora pretende se destacar com esta iniciativa, que foi anunciada por um grupo de cientistas nesta terça-feira, 19 de fevereiro, na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“A opção do Brasil de enfrentar o desafio de desenvolver seu próprio modelo de sistema climático global, em vez de importar um modelo pronto e aplicá-lo, foi feita com o objetivo estratégico de formar uma rede de pesquisadores capazes de atuar em todas as dimensões da construção de um modelo desta natureza, como nas etapas de desenvolvimento, de validação e de simulação”, explicou Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), um dos idealizadores do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM).

Contribuições e resultados

Como primeiro da América Latina a contribuir com o modelo global de mudanças climáticas, o Brasil pretende elevar a importância de questões ambientais típicas do Hemisfério Sul, como as queimadas, que intensificam o efeito estufa.

Um dos principais resultados obtidos pelo computador Tupã foi a constatação de que o desmatamento da floresta Amazônica ajuda a aumentar o aquecimento anormal das águas da superfície do Pacífico Tropical, fenômeno conhecido como El Niño, que afeta o clima regional e global.

Além disso, o BESM conseguiu melhorar a previsão de chuvas no Atlântico Sul e já consegue prever até o avanço e a retração do gelo marinho do mundo todo.