Notícia

UDOP - União dos Produtores de Bioenergia

Brasil integra projeto de Bioenergia Sustentável em escala global

Publicado em 16 setembro 2009

Foi criado o Global Sustainable Bioenergy: Feasibility and Implementation Paths (Bionergia Sustentável Global: Viabilidade e Caminhos para Implementação), projeto que reunirá cientistas, advogados ambientais, formuladores de políticas públicas, entre outros, em um debate mundial para avaliação das possibilidades de uso de biocombustíveis em grande escala mundial.

O objetivo é produzir conhecimento sistematizado de forma a contribuir para a formação de um consenso de que muitos países são capazes de produzir uma quantidade relevante de biocombustível, seja à base de celulose, cana-de-açúcar ou outros insumos.

A iniciativa foi idealizada e é liderada por três renomados pesquisadores da área de bioenergia: Nathanael Greene, do Natural Resources Defense Council, em Nova York; Tom Richard, da Universidade Estadual da Pensilvânia; e Lee Lynd, da Thayer School of Engineering, Dartmouth College e Mascoma Corporation.

O projeto será desenvolvido em três etapas. A primeira será composta de reuniões realizadas em cinco regiões do mundo, com início em novembro de 2009, na Malásia, seguido de encontros, no primeiro semestre de 2010, na Holanda, África do Sul, Brasil e nos Estados Unidos.

Na segunda etapa, os pesquisadores pretendem responder a seguinte questão: será fisicamente possível atender à demanda mundial por geração de eletricidade a partir de fontes vegetais enquanto a sociedade global também tem necessidades como a alimentação humana, a preservação da natureza e a manutenção da qualidade ambiental?

A terceira etapa do projeto irá analisar a implementação de questões técnicas, sociais, econômicas, políticas e éticas com o objetivo de desenvolver estratégias para uma transição para uma sociedade sustentável responsável.

O comitê organizador das reuniões no Brasil será coordenado por Carlos Henrique de Brito Cruz, Diretor Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e José Goldemberg, pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao do Instituto de Eletrotécnica e Energia, da Universidade de São Paulo (USP). Ambos foram convidados pelos idealizadores do projeto a integrar o grupo.

Experiência brasileira

Em resposta à rápida subida dos preços do petróleo em meados dos anos 1970, o Brasil lançou uma iniciativa global que visava à diminuição da dependência da energia importada. Quase quatro décadas depois o país é praticamente auto-suficiente no setor energético.

O Brasil é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar do mundo e ocupa posição de liderança na tecnologia de sua produção. Essa liderança e competitividade devem-se ao longo trabalho de muitos anos feito por pesquisadores em instituições de ensino e pesquisa e em empresas privadas, que resultou em valiosa bagagem de conhecimento e de tecnologia sobre a cana, seus derivados e sobre o processo de fabricação do etanol.

Segundo Carlos Henrique Brito Cruz, a produção de etanol a partir de cana-de-açúcar não é uma solução aplicável a qualquer ambiente, principalmente porque é preciso levar em conta aspectos como impactos da mudança de uso da terra, emissão de CO2 e a questão do impacto na produção para alimentação humana.

O diretor científico da FAPESP explica que nos Estados Unidos provavelmente a conversão de celulose é mais apropriada do que cana-de-açúcar. Já para países como África, a cana pode ser uma boa alternativa.

"É importante avaliar o que é viável em cada país", diz Brito Cruz. Além disso, Brito Cruz diz que o fato de outros países passarem a produzir biocombustível não tira a oportunidade do Brasil exportar. "A estratégia brasileira deve considerar também a oportunidade de exportar tecnologia de produção e distribuição".