O Brasil inicia uma nova fase no combate à dengue com a vacinação de profissionais de saúde da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).
A partir desta segunda-feira (9), enfermeiros, médicos, agentes comunitários e demais integrantes das equipes multiprofissionais das unidades básicas de saúde começam a receber a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada pela Anvisa em dezembro.
Trata-se do primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo, indicado para pessoas entre 12 e 59 anos. O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses, que serão distribuídas por todo o país.
Durante cerimônia em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitou o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Butantan. Padilha classificou o momento como histórico, destacando o Butantan como um dos maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo.
“Cada tecnologia desenvolvida pelo instituto tem o objetivo de salvar vidas, e não gerar lucro. Cada vacina, cada medicamento e cada inovação vai tratar pessoas no Brasil e no mundo com um único interesse: salvar vidas”, afirmou o ministro.
A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, similar a vacinas já aplicadas no país, como tríplice viral, febre amarela, poliomielite oral e algumas vacinas contra a gripe. Estudos avaliados pela Anvisa apontam eficácia global de 74,7% na prevenção da dengue sintomática e 89% de proteção contra formas graves ou com sinais de alarme.
Pesquisas publicadas pelo Instituto Butantan nas revistas The Lancet Infectious Diseases e The Lancet Regional Health – Americas mostram que a vacina também reduz a carga viral em infectados, prevenindo complicações e diminuindo a gravidade da doença.
Mesmo nos casos em que a infecção ocorre após a vacinação, a quantidade de vírus nos vacinados é significativamente menor do que nos não imunizados.