Notícia

Grupo de Trabalho Amazônico

Brasil inicia produção de medicamentos para malária

Publicado em 28 dezembro 2005

Pesquisa Fapesp - Febre alta e calafrios são os sintomas mais marcantes da malária, doença causada por um organismo de apenas uma célula, os protozoários chamados Plasmodium ou plasmódio, e transmitida ao homem pela picada de mosquitos do gênero Anopheles. A Amazônia brasileira concentra a quase totalidade dos casos na América Latina, com registro médio de cerca de 450 mil por ano.
O quadro previsto para este ano não é muito alentador. Estima-se que o número chegue a mais de 600 mil casos, com cerca de 200 mil novos no Estado do Amazonas, metade dos quais apenas em Manaus. Como não existem vacinas para combater a doença, um dos tratamentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é feito com medicamentos derivados da artemisinina, o princípio ativo extraído da artemísia (Artemisia annua), um arbusto que ocorre naturalmente na China e no Vietnã, onde é usado há muitos séculos pela população, em forma de chá, para tratamento da febre da malária.
Embora a doença seja endêmica no Brasil, só agora, com os resultados de pesquisa realizada pelo Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um medicamento feito a partir das folhas da artemísia será totalmente produzido no país pela empresa Labogen, de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Em 2006, a planta produzida no Brasil será processada e transformada em antimalárico.
Atualmente a matéria-prima para elaboração dos remédios usados para tratamento da malária é importada da China e do Vietnã. "O grande problema é que o material importado apresenta variações grandes no teor de pureza, resultando num produto sem padronização", diz a pesquisadora Mary Ann Foglio, coordenadora da pesquisa na universidade. "Sem contar que é importante o país ser auto-suficiente na produção de um medicamento tão necessário."
Nota GTA: A suspensão de testes de pesquisadores no Amapá, adotada pelo Conselho Nacional de Saúde depois de denúncias sobre o uso de moradores de quilombos como "cobaias" de remédios contra a malária, pede esclarecimentos sobre a autoria dos citados testes com comunidades tradicionais e - relembrando casos mais rumorosos como dos povos Yanomami e Suruí - maior monitoramento na área de novos medicamentos, onde o Brasil tem condições de tornar-se um grande centro no século 21. Não temos informações sobre qualquer nexo entre os testes humanos no Amapá e o desenvolvimento dos novos medicamentos em São Paulo.