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Cidades Paulistas

Brasil ganha prêmios em exposição internacional de Nanoarte

Publicado em 13 abril 2010

Por Michel Lacombe

Representado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN), coordenado pelo pesquisador do Instituto de Química da Unesp de Araraquara, Elson Longo, o Brasil participou pela primeira vez e foi um dos quatro países premiados entre os 16 participantes, na quarta edição da exposição online de Nanoarte 2009-2010. As obras "Net-like" e "Bees at home" ficaram com o segundo e quarto lugar, respectivamente. Todos os trabalhos podem ser vistos no site.

O evento foi organizado pelo artista e professor Cris Orfescu, da Universidade de Nova York, que também fez parte do júri, junto com Pilar Irala, doutor em História da Arte e professor da Universidade de San Jorge (Espanha) e o físico Guillermo Muñoz, da Universidade de Valência (Espanha). Ao todo, foram 48 participantes dos Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Canadá, Itália, Romênia, Holanda, Eslovênia, Filipinas, México, Grécia, Inglaterra, França, Irlanda, Uganda e Luxemburgo, que apresentaram 154 imagens.

A nanoarte é, em termos gerais, a arte produzida com o registro de nanopartículas através de um microscópio eletrônico de alta resolução. Após capturada, a imagem formada através de reação dos nanocompostos com outros elementos é ampliada entre 50 a 800 mil vezes e, passa por tratamento em um editor de imagens. Nesse processo, são adicionadas camadas de cores, para tornar as imagens mais atraentes. O INCTMN é formado, dentre outros grupos, pelo Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Rorivaldo de Camargo, técnico do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec), da Universidade Federal de São Carlos, que orientou e dirigiu a equipe brasileira, conta que o trabalho em nanoarte começou como uma brincadeira, mas, devido ao tamanho que ganhou, hoje, ele tem autorização de Longo para tomar conta do processo que mobiliza toda a equipe. Tanto que os premiados, Ricardo Tranquilin e Daniela Caceta, são, respectivamente, aluno do Doutorado e secretária.

A seleção das imagens, segundo Camargo, foi baseada em um critério de gosto. "Eu, o professor Elson e o Ricardo pegamos todas as imagens que tínhamos em nosso banco de dados que já estavam coloridas e escolhemos as que mais nos agradaram", afirma. O trabalho é feito com base em amostras dos alunos que utilizam o Liec. Semanalmente, mais de dez fazem suas análises no laboratório, mas, atualmente, o material não é mais selecionado.

Divulgação da ciência

A premiação do trabalho brasileiro vai dar um impulso na divulgação da nanoarte. O técnico afirma que já receberam convite e irão, em breve, realizar uma exposição na cidade de Guarulhos (SP). As obras premiadas também serão exibidas em exposições que acontecerão na Alemanha e na Finlândia. As imagens a serem apresentadas serão impressas em um tamanho de 60 por 40 centímetros.

Além disso, foi lançado oficialmente no último sábado (10), um DVD de nanoarte. O trabalho é uma homenagem prestada por Longo ao professor André Perrin, da Universidade de Rennes, na França. "O objetivo desse trabalho é mostrar, tanto ao lado científico, quanto ao "amador", as curiosidades da ciência", finaliza Camargo.

Fonte: Agência Ciência Web