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Planeta Universitário

Brasil ganha ouro na Olimpí­ada Internacional de Fí­sica

Publicado em 28 julho 2011

Na 42ª edição da Olimpí­ada Internacional de Fí­sica (IPhO), o Brasil ganhou sua primeira medalha de ouro. É o primeiro ouro de um país ibero-americano na competição, que desta vez ocorreu em Bangcoc, na Tailândia, de 10 a 18 de julho. Gustavo Haddad Braga, aluno do Colégio Objetivo de São Paulo, foi responsável pelo feito inédito. Ivan Tadeu (também do Colégio Objetivo de São Paulo), Lucas Hernandes (Colégio Etapa de São Paulo) e os cearenses José Guilherme Alves (Colégio Ari de Sá) e Ricardo Duarte Lima (Colégio Farias Brito) ficaram com o bronze.A Olimpíada Internacional de Fí­sica é uma competição anual voltada a estudantes de todo o mundo que estejam cursando o equivalente ao ensino médio brasileiro. Os brasileiros concorreram com 394 alunos de 84 nacionalidades.

'Apenas 8% dos alunos do torneio recebem a medalha de ouro. Isso significa que o Gustavo faz parte de um grupo seleto, onde estão os melhores alunos do mundo na área da fí­sica, para o mesmo ní­vel que o dele', disse Euclydes Marega Júnior, professor do Instituto de Fí­sica de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Fí­sica (OBF), à Agência FAPESP.

A seleção para participar da IPhO, da qual o Brasil participa desde 2000, ocorre por meio da OBF. Organizada pela Sociedade Brasileira de Fí­sica, a olimpíada nacional tem como objetivos estimular o interesse pela disciplina, aproximar o ensino médio das universidades e descobrir novos talentos para representar o país em torneios ao redor do mundo.

'Na OBF participam cerca de 600 mil jovens. Desse total, selecionamos cinco para representar o Brasil na IPhO. O processo de preparação para a competição internacional leva dois anos e meio', explicou Marega.

Além da IPhO, os brasileiros são preparados para concorrer à Olimpí­ada Ibero-Americana de Fí­sica. Segundo a SBF, nas duas competições, nenhum país da América Latina conquistou tantas medalhas quanto o Brasil.

A olimpíada internacional consiste em duas provas, sendo uma delas de conteúdo experimental. Marega salienta a dificuldade dos estudantes brasileiros de executar na prática o que aprendem nas salas de aula. 'A fí­sica é uma ciência da natureza. Em nosso sistema de ensino, o aluno aprende apenas a teoria, sem a experimentação. Isso ocorre também em disciplinas como a quí­mica e a biologia', pontuou.

Embora o desempenho do Brasil na 42ª IPhO tenha sido de destaque, Marega ressalta a carência de talentos e a necessidade de melhorias no sistema educacional do país.

'Uma competição como essa pode servir como estímulo aos professores para que se dediquem mais ao preparo dos estudantes', disse.

Mais informações: www.sbfisica.org.br

Agência FAPESP