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Correio da Bahia online

Brasil / Estudantes enfrentam a polícia em São Paulo

Publicado em 01 junho 2007

Universitários que protestavam contra decretos do governo foram contidos por cassetetes e 'sprays' de pimenta

São Paulo - Barrados a um quilômetro do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, mais de três mil alunos da USP tentaram avançar ontem sobre três barreiras de policiais, mas foram contidos por spray de pimenta. A ameaça de golpes de cassetetes e tiros de bala de borracha também intimidou os manifestantes. Depois de uma hora de passeata entre a Cidade Universitária e o Morumbi, onde fica o Palácio, os alunos foram contidos na entrada do bairro. Mais de 400 policiais, inclusive da Tropa de Choque, fizeram cordões de isolamento onde os manifestantes estavam concentrados. Ao todo, mais de 600 soldados fecharam todas as ruas que levavam à sede do governo.
Das 14h até o início da noite, os estudantes, acompanhados de professores e funcionários da USP, fizeram quatro tentativas para abrir caminho, forçando um corpo-a-corpo com os policiais, mas recuavam cada vez que era lançado o spray de pimenta.
Também participaram da manifestação integrantes da Unicamp e da Unesp. As três universidades estão parcialmente em greve. Para protestar contra o uso da força policial, os estudantes levantavam os braços e tiravam a camisa para mostrar que estavam desarmados. Os que conseguiam furar o primeiro bloqueio deitavam no chão até que fossem forçados a sair.
O protesto fechou durante toda a tarde e início da noite a avenida Francisco Morato, principal ligação entre as zonas sul e oeste da capital, provocando uma fila de mais de mil ônibus e um congestionamento gigantesco, que parou a Zona Oeste de São Paulo e deixou milhares de pessoas sem transporte coletivo. Por ordem do governo, a polícia decidiu não desbloquear o trânsito nem dispersar os manifestantes, como faz usualmente. Ainda na manifestação, enquanto um grupo de alunos, professores e funcionários da USP negociava com representantes do segundo escalão do governo, estudantes dançavam ao som da bateria de uma improvisada escola de samba, a "Unidos da Autonomia". O nome é uma referência à polêmica dos decretos de Serra.
Em meio ao tumulto, uma faixa criticava diretamente o governo: "Serra, governar por decreto é coisa de ditador". Por volta das 20h, depois de uma rápida assembléia no local, os estudantes decidiram seguir em caminhada de volta à Reitoria da USP. Está programada para hoje uma assembléia para decidir o futuro do movimento, como se desocupam ou não o prédio da Reitoria.
Pressionado pelas universidades, o governador José Serra (PSDB) voltou atrás ontem e refez o texto de decretos que têm gerado polêmica na USP, Unesp e Unicamp, ao mesmo tempo em que endureceu a relação com os estudantes que ocupam há 29 dias a Reitoria da USP e suspendeu as negociações até que o prédio seja desocupado. No Diário Oficial de ontem, o governador publicou o primeiro "decreto declaratório" de seu mandato, afirmando que a execução orçamentária, contábil e patrimonial das universidades e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) será realizada em acordo com a autonomia universitária e com a Constituição estadual.