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Correio Popular

'Brasil está incomodando'

Publicado em 21 fevereiro 2002

Ao lançar ontem o programa que vai estudar o genoma do eucalipto, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a capacidade científica brasileira "incomoda" outros países. "Há protestos, nós temos que brigar, vamos lá para a OMC (Organização Mundial de Comércio), governos reclamam, isso é bom", afirmou ele, em discurso no Palácio do Planalto. "Quando nós começamos a incomodar aí pelo mundo afora, quer dizer que nós estamos fazendo alguma coisa que devemos fazer." Fernando Henrique destacou que o Brasil já dispõe de "razoável" nível de produção científica, em especial na área da genética. Mas ressalvou que não cabe ao País assumir posição de "arrogância prematura" nem de "subalternidade colonialista". Fernando Henrique lembrou que produtores de vinho da Califórnia, nos Estados Unidos, buscam auxílio técnico em universidades brasileiras. "As vinícolas californianas, se quiserem ter melhor ajuda no assunto, devem dirigir-se mesmo é aqui ao Brasil", disse o presidente, mencionando reportagem sobre o tema publicada no ano passado pelo jornal The Washington Post. FAPESP O ministro de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, afirmou que o Genolyptus tem enfoque e abrangência distintos em relação ao mapeamento genético do eucalipto desenvolvido em São Paulo Dela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp). "A nossa ótica é diferente, trabalhamos nacionalmente", disse o ministro. "Quando a gente trabalha com o Brasil como um todo, é mais complexo do que trabalhar com a região mais altamente desenvolvida do Brasil, que é São Paulo." Fernando Henrique e Sardenberg enfatizaram a importância de 12 empresas somarem esforços para melhorar a produtividade, com apoio do setor público. "Hoje o mundo funciona em rede. Até o crime", brincou o presidente. O ministro ressaltou que o programa é "pré-competitivo", uma vez que as informações geradas serão compartilhadas pelas empresas.