Notícia

Gazeta Mercantil

Brasil entra na construção do Soar

Publicado em 10 abril 2001

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
O Brasil conquistou a oportunidade inédita de estabelecer competência na área de imageadores ópticos (instrumentos que fazem imagens do espaço) participar do desenvolvimento do maior telescópio do mundo. Batizado de Soar, sigla em inglês para Southern Astrophysical Telescope Research, o telescópio será instalado no deserto de Atacama, no Chile, em meados de 2001. O Soar é quase duas vezes maior que o telescópio espacial Hubble, mede 4,25 metros e vai operar no infra-vermelho, radiação invisível ao olho humano. O projeto é coordenado, no Brasil, pelo Laboratório Nacional de Astrofísica e, nos Estados Unidos, pela Universidade da Carolina do Norte, Universidade do Estado de Michigan e National Optical Astronomy Observatories (NOAO). O custo do desenvolvimento do Soar foi estimado em US$ 28 milhões e sua operação por 20 anos, em US$ 14 milhões. Segundo o coordenador nacional do projeto, João Evangelista Steiner, um terço dos recursos vai ser financiado pelo Brasil, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A empresa brasileira Equatorial foi contratada para construir a cúpula do telescópio e desenvolver o software de controle do equipamento. "A cúpula do Soar é a parte maior do telescópio. Trata-se de uma estrutura metálica de 20 metros de diâmetro, com cobertura de painéis em material composto", explicou o presidente da Equatorial, César Ghizoni. Além da cúpula, o Brasil também será responsável pelo desenvolvimento de um espectrógrafo óptico que irá analisar as imagens captadas no espaço. Antes do Soar entrar em operação, o Brasil já terá demonstrado a sua competência em outro importante projeto na área de telescópios. Em julho, um grupo de pesquisadores da Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai lançar, à bordo de um balão, o primeiro telescópio brasileiro de observação de imagens do centro da galáxia. O equipamento, que recebeu o nome de Masco, registrará imagens em raios X e gama, durante 20 horas de vôo, a 42 km de altitude. O balão tem dimensões maiores que as de um campo de futebol e cada vôo custará, em média, R$ 400 mil.