Notícia

O Liberal (PA)

Brasil entra este ano na era do estudo sobre proteínas

Publicado em 27 janeiro 2003

O seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, concluído em 6 de janeiro de 2000, pôs o Brasil no Primeiro Mundo da ciência. Agora, três anos e vários organismos seqüenciados depois, o País se prepara para entrar na era da proteômica, o estudo das proteínas, colocando-se ao lado dos países desenvolvidos. Vários laboratórios, divididos em duas redes, uma em São ffculo (em formação) e outra no Rio, iniciaram as primeiras pesquisas. Segundo os cientistas envolvidos nesses projetos, o Brasil tem tudo para repetir o sucesso que teve em genômica, embora o estudo do proteoma seja mais complexo. Enquanto o genoma é o conjunto dos genes de um determinado organismo, que dão a receita de como ele é feito, o proteoma é o conjunto das proteínas produzidas por ele. O primeiro é como a planta de um carro. O segundo são as peças desse carro, cada uma com uma função específica. "O proteoma é o conjunto de proteínas num dado momento, ou evento, metabólico de um organismo", diz o bioquímico Carlos Bloch, que coordena a formação da rede paulista de proteômica, que será financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Uma analogia deixa a diferença mais clara. Um determinado ovo, o pintinho que dele resulta e o galo no qual este se transforma têm o mesmo genoma (genes e código genético). Mas as proteínas, feitas sob orientação desses genes, são diferentes em cada uma dessas fases do desenvolvimento da ave. Os genes que determinam a produção de penas ou da crista do galo são ativados em momentos diferentes e "ordenam" a produção de proteínas diferentes. Descobrir as de um organismo e como elas funcionam em cada momento, eis a complexidade do estudo do proteoma. O que tem em complexidade, no entanto, esse estudo tem em potencial de cura de doenças, desenvolvimento de novos medicamentos ou aumento de produtividade de culturas agrícolas, por exemplo. O conhecimento da estrutura das proteínas permite compreender sua função nas células.