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Plantão News (MT)

Brasil e Japão ampliam colaboração em processos fotoquímicos e fotobiologia

Publicado em 09 novembro 2016

Uma parceria entre pesquisadores de universidades de São Paulo e da Universidade de Nagoya, no Japão, une esforços teóricos, experimentais e tecnológicos para a caracterização da dinâmica de processos moleculares fundamentais, como espectroscopia, reatividade e processos rápidos na escala de femtossegundos (milionésimos de bilionésimo de segundo).

A pesquisa é desenvolvida no âmbito de um acordo de cooperação entre a FAPESP e a Japan Society for the Promotion of Science (JSPS) e foi um dos trabalhos apresentados durante o workshop Overseas Challenges in Photochemical and Photobiological Sciences Via Computational and Experimental Chemical Approaches, realizado por pesquisadores de universidades paulistas e do Japão, em Nagoya.

O objetivo do evento foi discutir oportunidades de colaboração científica entre Brasil e Japão e fomentar o intercâmbio entre jovens pesquisadores dos dois países na área de processos fotoquímicos e fotobiológicos.

“Nesses processos, sistemas moleculares são submetidos a uma radiação eletromagnética para que se possa entender o que se passa na molécula enquanto ela absorve e dissipa a energia. Trata-se de um tema de interesse multidisciplinar em que há grandes oportunidades de troca entre o domínio tecnológico japonês e o conhecimento de físicos, químicos e biólogos brasileiros, além de pesquisadores de muitas outras áreas afins”, destacou Sylvio Canuto, professor titular do Instituto de Física (IF) da USP e coordenador da delegação brasileira em Nagoya.

De acordo com Canuto, a Universidade de Nagoya é reconhecida internacionalmente pelo seu alto nível de pesquisa tendo entre seus professores seis prêmios Nobel. Na área molecular é reconhecida por trabalhos teóricos e experimentais e pelo domínio da técnica de espectroscopia ultrarrápida, que consiste na utilização de lasers de curta duração, emitidos na ordem de femtossegundos, para a caracterização de processos químicos em tempo real.

“A espectroscopia ultrarrápida lida com processos químicos que ocorrem de maneira muito dinâmica e isso demanda um arsenal teórico bastante desenvolvido para que seja possível compreender o que está acontecendo em nível molecular”, disse Canuto.

“Quando se estuda uma molécula em estado excitado, que absorveu radiação, é necessário entender o que se passa com ela, como o movimento do seu núcleo se processa, mas também como ela interage com o meio”, disse.

A participação brasileira se dá por meio de simulações que incorporam a dinâmica de modificação dos núcleos das moléculas em interação com o ambiente, combinando um procedimento desenvolvido na Universidade de Nagoya, o Método do Gradiente de Energia Livre, com a metodologia híbrida Sequential-QM/MM, concebida no IF-USP. A estratégia permite calcular a força nos núcleos durante a interação com o meio.

“Molécula é um assunto interdisciplinar por natureza, envolvendo diversas áreas de interesse – não somente pessoal teórico, que faz simulação, ou experimental, que faz espectroscopia, mas também profissionais de síntese química, que produzem as moléculas em que as pesquisas estão interessadas”, disse Canuto.

A delegação brasileira em Nagoya foi composta por sete jovens pesquisadores brasileiros, com doutorado concluído a menos de dez anos, representando instituições públicas de ensino superior do Estado de São Paulo: Diego Pereira dos Santos e Leandro Martinez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Marco Antonio Barbosa Ferreira e Ricardo Samuel Schwab, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Marina Sparvoli de Medeiros e Paula Homem de Mello, da Universidade Federal do ABC (UFABC); e Gustavo Troiano Feliciano, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Os pesquisadores foram acompanhados de três mentores: Kaline Rabelo Coutinho, da USP; Rogério Custódio, da Unicamp, e Herbert C. Georg, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Além da Universidade de Nagoya, a delegação brasileira visitou o Fukui Institute for Fundamental Chemistry, em Kyoto, cuja nome homenageia o químico Ken'ichi Fukui, Nobel de Química de 1981. Canuto ministrou palestra sobre oportunidades de colaboração científica com o Brasil na área de processos fotoquímicos e fotobiológicos e dos trabalhos desenvolvidos pelo seu grupo na USP.

Agência Fapesp