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Brasil e Canadá debatem tratamentos contra Alzheimer

Publicado em 28 fevereiro 2012

Por Reprodução

Proteína príon: pode levar à morte dos neurôniosO Brazil–Canada Príon Science Workshop 2012 acontecerá de 7 e 8 de março, no Hospital A.C.Camargo, em São Paulo, para discutir o envolvimento de proteínas, entre as quais a príon, que quando mal enoveladas podem ser a causa de doenças neurodegenerativas, como as doenças por príons, Alzheimer e Esclerose Lateral Amiotrófica.

O evento terá a participação de cerca de 60 cientistas do Hospital A.C.Camargo e de universidades brasileiras e canadenses. A proteína príon (abreviação de partícula infecciosa proteinácea), que atua em funções importantes, como na formação da memória, quando alterada ou associada a outras proteínas tóxicas pode levar à morte dos neurônios. Pesquisadores vislumbram abordagens terapêuticas de reverter este quadro com o desenvolvimento de novas drogas.

O workshop terá apresentações da cientista do A.C.Camargo e coordenadora do evento, Vilma Martins, e de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), Universidade de São Paulo (USP), University of British Columbia, National Research Council of Canada, McGill University, University of Western Ontario, University of Alberta e University of Calgary.

Os 14 cientistas que proferirão conferências compõem um grupo de colaboração científica para o estudo de doenças relacionadas aos príons e ao enovelamento de proteínas, que conta com investimentos das agências de fomento à pesquisa: PrioNet e Alberta Prion Research Institute, ambas do Canadá, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Estudos recentes mostraram que uma das doenças que traz a proteína príon como protagonista é o Alzheimer. Bastante comum na população idosa, estima-se, atinge 1 entre 10 pessoas de 65 a 70 anos e aumenta consideravelmente sua incidência para 6 entre 10 idosos a partir dos 90 anos. A atuação da proteína príon no contexto que leva à doença começa com a fragmentação, de forma errada, de uma proteína presente no cérebro, trazendo com ela componentes alterados que, ao se ligarem à proteína príon, promovem toxidade capaz de matar os neurônios. A identificação deste processo, por sua vez, gera a possibilidade de se buscar novas formas de tratamento. “A proteína príon passa a ser um alvo terapêutico, pois ao se reverter este processo evita-se a toxidade”, destaca Vilma Martins.

A proteína príon está relacionada também a doenças neurodegenerativas raras conhecidas como doenças por príons que podem atingir humanos e também o gado bovino, esta última popularmente conhecida como doença da vaca louca. “Em linhas gerais, isso ocorre devido à alteração da forma normal da proteína prion que gera proteínas infecciosas que passam a se propagar e promover morte neuronal”, aponta Vilma.

Durante o workshop serão discutidos ainda os mecanismos associados a outras doenças neurodegenerativas que também são causadas pelo mal enovelamento de proteínas componentes normais do cérebro humano como a esclerose lateral amiotrófica. Em se tratando de câncer, a proteína príon tem sido objeto de estudo em glioblastomas e tumores colorretais.

Estão programadas palestras de Fernanda De Felic, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Sergio Ferreira (UFRJ); Debora Foguel (UFRJ); Rafael Linden (UFRJ); Jerson Silva (UFRJ); Vilma Martins – Hospital A.C.Camargo; Orestes Forlenza, Universidade de São Paulo (USP); Neil Cashman, University of British Columbia; Vanya Ewart, National Research Council of Canada; Edward Fon, McGill University; Marco Prado, University of Western Ontario; David Westaway, University of Alberta; David Wishart, University of Alberta; e Gerald Zamponi, University of Calgary.

Mais Informações no site www.accamargo.org.br