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O Povo

Brasil é 26º em ranking mundial de patentes

Publicado em 01 abril 2006

O Brasil está distante de Rússia, Índia e China, os outros membros do bloco de países emergentes conhecido pela sigla BRIC, no campo de pesquisa e inovação. Dados recém-divulgados pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) indicam que o Brasil depositou menos patentes internacionais do que as outras três nações em 2005, informou-se de São Paulo. No ranking mundial, o País ocupa a 26ª posição entre aqueles que mais registram patentes.
Segundo o levantamento, feito com 128 países, foram 283 pedidos feitos por brasileiros no ano passado, um crescimento de apenas 0,7% em relação a 2004 - na prática, foram apenas dois pedidos a mais. A Rússia depositou 500 patentes na OMPI e a Índia depositou 648 pedidos, uma queda em comparação com os 723 de 2004. O grande salto foi da China, 2.452 pedidos - um aumento de 43,7%, desbancando o Canadá da 10ª posição na lista geral.
A falta de conexão entre produção científica brasileira e pesquisa e desenvolvimento na indústria é um problema identificado há pelo menos 20 anos. Sinais concretos de solução, contudo, só começaram a aparecer de pouco tempo para cá, com a Lei de Inovação, de 2004, e a MP do Bem, do ano passado, desonerando impostos.
A questão que se coloca é se o Brasil tem tempo para colher os frutos do esforço tardio. O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Krieger, é sucinto: "Sem investimento, não criamos riqueza." Enquanto isso, a China se movimenta com velocidade.
Um dos principais sintomas de que há pouca pesquisa dentro da indústria é a divisão da mão-de-obra qualificada, com ensino superior, voltada para desenvolvimento. "No Brasil, há um engano quando se supõe que lugar da pesquisa é na universidade. Em países industrializados, mais da metade está na indústria, que gera 90% das patentes", explica o diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Carlos Henrique de Brito Cruz.