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Inovação Tecnológica

Brasil domina tecnologia de motor para satélites artificiais

Publicado em 12 abril 2006

Por Thiago Romero
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou os testes com o sexto protótipo do propulsor para satélites geoestacionários, desenvolvido com tecnologia 100% nacional. O protótipo está sendo avaliado no banco de testes com simulação de altitude do Laboratório de Combustão e Propulsão do Inpe.
Com a fase de testes concluída, a expectativa é que o Brasil passe a fazer parte de um pequeno grupo, formado por menos de dez países, capacitado para desenvolver esse tipo de tecnologia de propulsão. "Estamos realizando diferentes tipos de testes com o propulsor, que poderá integrar motores de apogeu de satélites geoestacionários", explica José Nivaldo Hinckel, tecnologista do Inpe responsável pelos testes, à Agência FAPESP.
O satélite, que é injetado pelo veículo lançador em uma órbita de transferência e utiliza o motor de apogeu para conseguir chegar na órbita geoestacionária, tem orientação fixa em relação à Terra. "Como a tecnologia que envolve os propulsores não é comercializada, para o Brasil ter autonomia de poder lançar satélites do tipo, é indispensável desenvolver esse equipamento", afirma Hinckel.
Segundo o pesquisador, duas baterias de testes já foram realizadas com o sexto protótipo, com resultados extremamente favoráveis. "O primeiro passo, que é o domínio da tecnologia, foi concluído. Agora, estamos em busca da qualificação do equipamento, que deverá ocorrer em no máximo três anos", diz.
Os testes são motivados pela proposta do governo brasileiro de fabricar satélites geoestacionários, trabalho que está sendo realizado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). A expectativa é que o satélite, que consta nas metas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), seja desenvolvimento e lançado até 2010.
Hinckel explica que o satélite geoestacionário brasileiro poderá ser utilizado, entre outras coisas, para auxílio às comunicações de controle de tráfego aéreo e aplicações meteorológicas, além de proporcionar ao governo autonomia na cobertura e vigilância do território nacional.