Notícia

Gazeta Mercantil

Brasil disputa moderna rede de radiotelescópios

Publicado em 15 abril 2004

Um projeto internacional, de custo estimado em US$ 1 bilhão, para instalação no Brasil do sistema de radioastronomia SKA (Square Kilometre Array), está sendo proposto por um grupo de cientistas de diversas instituições brasileiras, informou ontem a Agência Fapesp, agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O projeto pretende esclarecer questões importantes sobre a origem do Universo e verificar a possibilidade de vida extraterrestre. A proposta brasileira foi enviada na primeira semana de abril ao diretor do Projeto SKA, o holandês Richard Schilizzi. Austrália, China, África do Sul e Argentina, entre outros países, também são candidatos a se tornar sede do SKA, que está sendo projetado como um consórcio internacional, financiado por instituições de diversos países. O SKA prevê a instalação de um arranjo de radiotelescópios com área coletora total de 1 quilômetro quadrado, para a faixa de freqüências de 150 MHz a 20 GHz. Trata-se de uma dimensão equivalente a 100 antenas de 100 metros de diâmetro. O sistema é considerado, segundo a reportagem da Agência Fapesp, a próxima geração em radiotelescópios, pois terá sensibilidade 100 vezes superior à do principal radiotelescópio existente atualmente, o de Arecibo, em Porto Rico. Com isso, os astrônomos esperam conseguir "enxergar" bilhões de anos atrás, antes mesmo da formação das galáxias. A proposta dos radioastrônomos brasileiros tem o apoio dos institutos que representam, como o IAG, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Centro de Radio Astronomia e Astrofísica Mackenzie.A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) se prontificou a realizar medidas de interferências rádioelétricas nos locais escolhidos para a proposta brasileira. "Foi muito importante ter feito a proposta, pois se trata de um projeto que trará oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento local de várias áreas, como em infra-estrutura ou em tecnologias avançadas de microondas", disse Jacques Lepine, diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo e do comitê responsável pela proposta brasileira. "Trata-se de um investimento equivalente a alguns dos maiores projetos da astronomia mundial, como, por exemplo, o telescópio espacial Hubble." A proposta brasileira aponta três regiões como possíveis sedes para o sistema de radiotelescópios, próximas às cidades de Teresina de Goiás (GO), Buritis (MG) e Posse-Correntina (BA). "Locais na região central do país são convenientes, por oferecerem terras a baixo custo, com clima relativamente seco e baixa densidade de população, mas com a vantagem da proximidade de grandes centros, como Brasília ou Goiânia, que contam com infra-estrutura de universidades e aeroportos internacionais", explicou Lepine. A escolha do país onde o SKA será instalado só ocorrerá em 2007, e o sistema deverá funcionar em 2015. "Seria muito interessante que ele estivesse no Hemisfério Sul, de modo a complementar, em termos de freqüências, o projeto Alma (Atacama Large Millimeter Array), grande arranjo de radiotelescópios para ondas milimétricas e submilimétricas que funcionará no Chile", disse Lepine. O Alma analisará as baixas freqüências, e o SKA estará focado nas altas freqüências.