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Brasil desenvolve cana transgênica revolucionária

Publicado em 31 dezembro 2020

Por Carlos Cardoso

Há quem acuse os criadores de organismos como a cana transgênica de querer brincar de Deus, mas em verdade esse barca já partiu faz tempo.

Cientistas que nunca viram um filme na vida inserem genes humanos em cérebros de macacos Sobre Vacas Transgênicas e Antas Naturais

O Homem começou a brincar de Deus milhares de anos atrás, quando um neandertal arrancou os arbustos de frutinhas amargas em volta de sua caverna, deixando os arbustos de frutas mais doces. Por gerações depois que inventamos a agricultura aprendemos a separar as sementes de plantas mais produtivas, ou mais suculentas.

Através de seleção artificial modificamos completamente os vegetais que consumimos. Veja o que 7000 anos de criação seletiva fizeram com o milho, de seu ancestral selvagem ao que temos hoje.

Isso tudo é fruto de manipulação genética, mas hoje vivemos um momento aonde a Ciência deu um passo adiante. Não precisamos mais depender de mutações aleatórias, podemos alterar o genoma de uma planta introduzindo genes externos, para produzir efeitos precisos.

E o Brasil domina essa tecnologia, que está sendo usada para resolver grandes problemas na agricultura, como a broca da cana, uma mariposinha formalmente chamada Diatraea saccharalis e que em sua fase larval causa prejuízos anuais de R$5 bilhões.

A Broca da Cana, como também é conhecida destrói plantações implacavelmente, junto com outras pragas, e com o fim da queima da cana, a situação se agravou, pois o fogo matava os insetos. Agora eles continuam escondidos nas plantas após a colheita, e quando o sujeito vai ver a safra está infestada.

Entra em cena uma variedade de cana chamada BtRR, já em testes em fazendas da EMBRAPA.

A cana transgênica foi desenvolvida por uma emprese de biotecnologia chamada PangeiaBiotech, e tem uma característica única de usar genes de dois organismos diferentes.

Um deles, retirado da bactéria Bacillus thuringiensis, faz com que a cana produza duas proteínas bioinseticidas, substâncias naturais que repelem ou matam insetos como a broca da cana, mas o projeto não parou por aí. Um segundo gene, da bactéria Agrobacterium sp torna a cana transgênica resistente ao Glifosato, um herbicida bem popular e polêmico.

Aqui entra o pulo do gato: Todo mudo pensa que a cana transgênica ser resistente significa que vão encher o bicho de herbicida, certo?

Errou feio. Como a cana comum não gosta do glifosato, ele tem que ser aplicado manualmente, no espaço entre os pés de cana, o que consome muito tempo e gasta muito mais herbicida.

A cana transgênica, que resiste muito mais ao glifosato do que as ervas daninhas, pode ser pulverizada por avião, o que é muito mais econômico e rápido.

Segundo a Revista da FAPESP a BtRR deve entrar no mercado para a safra de 2022/23, e a estimativa é que as variedades transgênicas atinjam 30% da área plantada até 2030. Agora é ficar de olho para que os insetos e ervas daninhas não se adaptem muito rápido, pois os cientistas brasileiros são bons, mas Darwin é implacável, e não dorme.