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Brasil defenderá fortalecimento de braço ambiental da ONU

Publicado em 06 março 2012

Por Roberta Jansen

SÃO PAULO - O secretário-executivo da Comissão Nacional da Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, afirmou ontem que o país defenderá na conferência a proposta de criação de um organismo, na esfera da ONU, que integre as áreas de desenvolvimento, meio ambiente e inclusão social — os três temas-chave da reunião, em esfera global.

_ Precisamos saber como integrar, como olhar para as necessidades destas três áreas. É preciso uma coordenação política - disse.

Em um workshop organizado esta semana pela Fapesp, o embaixador afirmou, ainda, que o Brasil buscará também o fortalecimento do Programa de Meio Ambiente da ONU (Pnuma).

_ Existe um sentimento compartilhado pelo Brasil de que o braço ambiental da ONU deve ser reforçado. E de que este seria o momento de fazê-lo, defendeu, lembrando que África e Europa defendem a criação de uma nova agência, a Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Figueiredo, no entanto, acredita que dificilmente haverá consenso para criar uma nova agência. Esse processo desencadearia a criação de mais burocracia, tornando as coisas mais caras e não necessariamente mudando o modo de atuação.

O embaixador afirmou que a posição do Brasil é "flexível".

_ Queremos o reforço do Pnuma (não necessariamente a criação de uma nova agência). E aceitaremos os resultados que as negociações trouxerem.

Um dos objetivos da conferência, para o embaixador, é que se consiga transformar as metas do milênio, cujo prazo termina em 2015, em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Isso englobaria não apenas os países em desenvolvimento, como também os desenvolvidos.

Mesmo que não se consiga estabelecer metas quantificadas, ele acredita que a enumeração de objetivos para futuras negociações seriam um bom resultado para a conferência. Figueiredo lembrou que, diferentemente da Rio-92, a Rio+20 não é legislativa, ou seja, não foi projetada para criar novas leis. Deverá, no entanto, apontar caminhos.

O embaixador não vê a crise econômica como um freio para o comprometimento dos países ricos:

_ É um alerta para que parem e pensem. Os modelos atuais de desenvolvimento não estão funcionando. Estamos fazendo algo errado. Precisamos olhar para o futuro e ter novas ideias sobre como vamos crescer, reduzir a desigualdade e ao mesmo tempo proteger a base ambiental.

De acordo com ele, um dos objetivos do governo ao sediar a conferência é que ela deixe ao país um legado similar ao da conferência de 20 anos atrás.

_ O Brasil foi outro depois da Rio-92, ressaltou. _ Mudou completamente a preocupação ambiental, a consciência com a sustentabilidade, transformou a sociedade. O governo quer que a conferência gere um novo impulso de transformação.