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Brasil dá passo decisivo na construção de seu primeiro submarino nuclear (4 notícias)

Publicado em 09 de agosto de 2025

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A Marinha do Brasil avança em um dos projetos mais estratégicos da sua história: a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. O marco mais recente é a montagem eletromecânica do bloco 40, seção que abrigará o reator responsável por gerar a energia térmica para a propulsão da embarcação.

Segundo a Força Naval, os trabalhos estão em estágio avançado no Centro Industrial Nuclear de Aramar (Cina), em Iperó (SP), onde um protótipo em escala real das seções mediana e traseira do submarino também está em finalização. Esse protótipo será usado para validar todos os sistemas antes da instalação no modelo definitivo.

Labgene: onde a propulsão nuclear ganha vida

O Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), criado exclusivamente para testar o reator, conta com um galpão de 30 metros de altura. Inicialmente, o sistema será testado com vapor gerado por caldeiras a combustível fóssil. Só depois será introduzido o combustível nuclear, produzido no próprio complexo de Aramar.

O objetivo é assegurar que todos os sistemas — como geradores de vapor, trocadores de calor, bombas e válvulas — atendam aos requisitos máximos de segurança e performance antes da instalação no submarino.

Tecnologia estratégica e desafios

O reator será do tipo PWR (Pressurized Water Reactor), o mesmo usado nas usinas nucleares de Angra 1 e 2. O desenvolvimento dos componentes do bloco 40 está sob responsabilidade da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep).

A construção do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) faz parte do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) — parceria entre Brasil e França que inclui também quatro submarinos convencionais, dos quais dois já estão em operação.

Vantagens estratégicas e defesa nacional

Apenas seis países no mundo dominam a construção de submarinos nucleares: EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia. O Brasil será o primeiro a desenvolver essa tecnologia sem possuir armas nucleares.

Entre as vantagens estão maior velocidade, autonomia e capacidade de operação submersa por longos períodos, essenciais para vigilância e proteção da extensa costa brasileira e das riquezas da chamada Amazônia Azul.

Ciclo do combustível nuclear: independência e segurança

Outro objetivo do programa é dominar todo o ciclo do combustível nuclear. O Brasil já domina a tecnologia de ultracentrifugação do urânio, processo que permite enriquecer o mineral a níveis adequados para uso no reator naval. O enriquecimento para o submarino será de até 19%.

Todo o processo, da mineração à produção das pastilhas de combustível, ocorre no complexo de Aramar, com inspeção regular da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), garantindo o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

A previsão é que o submarino nuclear brasileiro, batizado Álvaro Alberto, seja concluído na próxima década, consolidando um salto tecnológico e estratégico para o país e reforçando sua soberania marítima.

Fonte: Revista Pesquisa Fapesp