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A Tarde (BA)

Brasil criará simulador de mudanças climáticas

Publicado em 03 março 2013

No mundo hoje, há poucos países que lideram os avanços científicos em modelagem climática. A maioria deles – como os Estados Unidos, por exemplo – está no hemisfério norte. A Austrália era o único país no hemisfério sul que possuía essa capacidade.

Após desenvolver por 30 anos modelos climáticos próprios, porém, o país abandonou os esforços na área e optou por importar e ajudar a, aprimorar um modelo do Hadley Centre for Climate Predíctíon and Research, da Grã-Bretanha.

Agora,o Brasil acaba de preencher essa lacuna deixada pela Austrália e se credenciou ao seleto grupo de países capazes de desenvolver.

Pesquisadores de diversas instituições, integrantes do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG),da Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC), concluíram a versão preliminar do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (Besrn, na sigla em inglês).

Alguns dos primeiros resultados de simulações feitas com o novo modelo foram apresentados no workshop sobre o Besm, realizado no dia 19 de fevereiro, na Fapesp, em São Paulo.

De acordo com o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, a opção do Brasil de enfrentar o desafio de desenvolver o próprio modelo de sistema climático global é uma estratégia.

“Em vez de importar um modelo pronto e aplicá-lo, resolvemos construir uma rede de pesquisadores capazes de atuar em todas as dimensões da construção de um modelo desta natureza, como no desenvolvimento, validação e simulação” disse Nobre, que é também membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e  um dos idealizadores do Besm.

“Como nós temos uma comunidade científica atuante no desenvolvimento e integração dos componentes de um modelo do sistema terrestre de boa qualidade, mas ainda incipiente numericamente, não poderíamos dar um passo como o da Austrália – que tem uma enorme competência em modelagem climática e uma grande comunidade de pesquisadores especializados em todos os aspectos relacionados ao clima – de aprimorar um modelo em parceria com outro país”, explicou Nobre.

Contribuição

A ideia do Besm, segundo Nobre, é ser uma plataforma aberta, em que várias hipóteses de processos que acontecem na América do Sul, no Oceano Atlântico e na Antártica, por exemplo, possam ser testadas pelos pesquisadores de áreas relacionadas às ciências climáticas e ambientais.

“O objetivo foi construir um modelo climático com competência brasileira que seja incorporado como uma contribuição do país para a construção de um sistema global de modelagem do sistema terrestre, como se pretende criar nos próximos anos”, disse Nobre.

“No futuro haverá um sistema global de modelagem do sistema terrestre por meio do qual será possível montar um modelo climático por módulos que interessem a um pesquisador para testar suas hipóteses”, estimou.

Segundo o pesquisador, o desenvolvimento do novo modelo possibilitou melhorar a previsão de precipitação (chuva) no Atlântico Sul e na América do Sul.

Outro resultado da implementação do modelo Besm foi a constatação de que o desmatamento da Amazônia aumenta a possibilidade de ocorrência de El Niño (fenômeno caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no Oceano Pacífico Tropical, capaz de afetar o clima regional e global).