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Brasil criará rede para fomentar pesquisa e inovação em malária

Publicado em 20 fevereiro 2009

Edital com R$ 20 milhões aportados pelo CNPq, Ministério da Saúde e sete FAPs será lançado no dia 31 de março

 

Em 2007, o Brasil teve 458 mil casos de malária confirmados. Em 2008, o número foi menor: 306 mil casos foram notificados em todo o país. Do total, cerca de 90% ocorrem na região Norte. Apesar da grande concentração no Norte, diversos estados da Federação estão se unindo numa iniciativa para mudar este quadro dramático.

As Fundações de Amparo à Pesquisa de sete estados – Amazonas (Fapeam), Pará (Fapespa), Maranhão (Fapema), Minas Gerais (Fapemig), Mato Grosso (Fapemat), São Paulo (Fapesp) e Rio de Janeiro (Faperj) – se uniram à Secretaria de Ciência e Tecnologia e de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e ao CNPq, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, para a criação da Rede Malária.

Em reunião realizada no dia 13 de fevereiro, no RJ, os representantes das instituições definiram a data do edital para a criação da rede: dia 31 de março.

O edital contará com R$ 20 milhões para o financiamento tanto de projetos de pesquisa básica, centrada no parasita da malária, no hospedeiro (o homem), e no vetor (o inseto), quanto pesquisa aplicada e aspectos clínicos da doença.

"Faremos um acompanhamento rigoroso dos projetos apoiados. Com o resultado das avaliações, as FAPs, o CNPq e o Ministério da Saúde aportarão mais recursos, estendendo por mais dois anos os projetos. A perspectiva é que a rede tenha investimentos por um período de pelo menos cinco anos", diz Odenildo Sena, diretor da Fapeam e atual presidente do Conselho de Fundações Estaduais de Apoio à Pesquisa (Confap).

Sena explica que a rede terá uma coordenação geral, escolhida entre os pesquisadores aprovados no edital. "Não queremos financiar projetos dos pesquisadores A, B ou C, porque isso já existe hoje. Em geral o que acontece é que cada um dos pesquisadores tem os seus projetos e eles não conversam entre si. E isso não é o que queremos fomentar, vamos racionalizar o processo, evitando dispersão. Os projetos com seus méritos aprovados terão que apresentar relação com as temáticas definidas no edital. Ou seja, os projetos estarão ligados ao mesmo objetivo para que possamos unir competências e infraestruturas já existentes nos estados para este combate fortalecido contra a malária".

Além do fomento à pesquisa, outra meta da rede é a formação de mestres e doutores na área. Sena afirma que o edital irá fomentar a pesquisa básica e aplicada, a formação de recursos humanos e também o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa no país. "Mas tomaremos todo o cuidado para não duplicar estruturas. Por exemplo, se o RJ dispõe de um certo conjunto de ações que possam ser utilizadas pelos pesquisadores da rede, não iremos financiar a construção de uma base semelhante no Amazonas. Vamos evitar a todo custo esta superposição".

Ele defende ainda o fomento à pesquisa aplicada. "Queremos resposta concreta, pesquisa aplicada mesmo, com resultados, inclusive com a possibilidade de testes clínicos. Por isso, estamos pensando num tempo mais longo, de cinco anos".

Novos aportes

O presidente do Confap espera que, além dos recursos iniciais, a Rede seja capaz de captar novos investimentos. "Esperamos que ao longo dos cinco anos a rede vá se fortalecendo e ganhando autonomia. Por exemplo, um dos critérios de avaliação ao final dos três primeiros anos será se a rede conseguiu captar novos recursos, inclusive do exterior. Esperamos que pela qualidade dos trabalhos os pesquisadores consigam mais recursos e assim deixe de ser dependente das instituições que aportaram os recursos iniciais".

Apesar de ainda não ter sido nem lançado o edital, o modelo de rede começa a ganhar espaço nos debates entre o Confap e o CNPq. "Em nossos encontros surgiu a ideia de usarmos a Rede Malária, que de fato é uma experiência interessante, envolvendo grupos em todo o país, como modelo para a criação da Rede Dengue, mas esta ainda vai ser articulada e provavelmente contará com mais estados do que os participantes da Rede Malária."

A partir da data do lançamento do edital, a equipe do CNPq irá finalizar o restante do cronograma, mas espera-se que a implementação das propostas seja realizada ainda no início do segundo semestre.