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Nicomex Notícias

Brasil compra supercomputador para pesquisas meteorológicas

Publicado em 22 abril 2010

Quem gosta de listas e rankings pode comemorar a entrada do Brasil no Top 20 dos detentores dos computadores mais poderosos do mundo. Entretanto, essa conquista não se limita apenas ao campo tecnológico. O país adquiriu, na última semana, um supercomputador que será instalado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e deve melhorar significativamente a qualidade de suas previsões meteorológicas, além da antecipação em eventos como desastres naturais, como deslizamentos em encostas, inundações, incêndios de vegetações e secas.

Em uma análise mais ampla, o supercomputador, que será batizado com um nome em Tupi, irá aumentar a confiabilidade dos dados divulgados pelo INPE. Esse ganho de credibilidade se dá em função do poder da nova máquina e do mapeamento que ela pode produzir. Hoje, os modelos do instituto conseguem prever, com dois a três dias de antecedência, somente as chuvas em áreas de 400 km². Com o novo computador, esse número diminui drasticamente para 25 km², tornando possível prever chuvas mais fortes em um determinado bairro, por exemplo.

Com ele, o INPE poderá rodar modelos de circulação global como os usados pelo IPCC (o painel do clima das Nações Unidas). Isso significa dizer que será possível avaliar o clima, ao longo de períodos extensos, combinando dados de todos os elementos do Sistema Terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação, ciclos biogeoquímicos, etc), suas interações e como este sistema está sendo perturbado por ações como emissões de gases de efeito estufa, mudanças na vegetação e urbanização. Assim, poderá ser determinado, por exemplo, se eventos como as chuvas do Rio que abalaram a cidade ficarão mais frequentes ao longo do século.

Salto tecnológico

O supercomputador do INPE será instalado em Cachoeira Paulista (SP) e será utilizado pelos Centros de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do próprio Instituto. Grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede CLIMA) do MCT, do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas também se beneficiarão da nova máquina, comprada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia ao custo de R$ 31,3 milhões.

O sistema foi adquirido junto à empresa norte-americana Cray Inc. que produziu três dos cinco mais poderosos computadores do mundo. Com ele, o Brasil passa a ocupar a 16ª colocação nesse ranking, com uma máquina capaz de calcular 244 trilhões de operações por segundo (teraflops), em um aglomerado de 14 gabinetes, com processamento equivalente a 30 mil computadores comuns. O supercomputador do INPE será 50 vezes mais rápido que o antigo e coloca o Brasil entre os detentores das cinco mais potentes máquinas para uso meteorológico do planeta, ao lado de EUA, Rússia, China e Alemanha.