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Brasil começa testar vacina contra a leishmaniose

Publicado em 05 dezembro 2008

O Brasil iniciou nesta sexta-feira (5), os ensaios clínicos da vacina contra a leishmaniose, doença que ataca os seres humanos e os animais por meio de parasitas que se alojam nas vísceras, como o fígado e o baço. Inicialmente, as vacinas serão aplicadas nas áreas endêmicas, mais concentradas na Região Nordeste, com mais de mil notificações em 2006, de um total de 3.433 casos em todo o país.

O anúncio foi feito no Instituto Butantan, em São Paulo, pelo presidente da Fundação Butantan, Isaias Raw, e pelo pesquisador Steven Reed, do Infetology Disease Res, Institute (Irdi), sediado em Seattle, nos Estados Unidos, que está disponibilizado os lotes iniciais produzidos. Os ensaios serão realizados com a combinação de duas vacinas e outros adjuvantes, segundo nota divulgada pelo Instituto Butantan.

Investimento

Esses trabalhos envolvem investimento de R$ 2 milhões em sistema de parcerias, que incluem, além do laboratório norte-americano, o Instituto Butantan, programa Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A expectativa é de vacinar 30 milhões de cães durante a campanha anual de vacinação contra a raiva. O Instituto Butantan pretende investir R$ 5 milhões na nova fábrica.

A vacina deverá ser submetida ao controle do Ministério da Agricultura, depois de respondida questões como: quantas doses do medicamento serão necessárias para imunizar cada cão, por quanto tempo a vacina será ativa e qual a forma mais econômica de produzi - lá levando em conta o universo a receber as doses.

Doença

Conhecida também por calazar, essa doença é provocada pelo protozoário da família Tripanosoma, gênero Leismania e espécie leishmania chagasi, que evolui no interior do tubo digestivo do inseto transmissor, conhecido como mosquito-palha, birigui, asa-branca, tatuquira e cangalhinha e nome científico de lutzomyia longipalpis. A transmissão da doença ocorre por meio da picada desse inseto, que tem hábitos noturnos e vespertinos. Quando sugam o sangue de animais infectados, esses insetos acabam levando a doença para os seres humanos.

A doença é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das seis maiores endemias, infectando cerca de 2 milhões de pessoas no mundo todo.