Notícia

Jornal do Brasil

Brasil cobra apoio de países desenvolvidos

Publicado em 17 março 1996

Por ALEXANDRE MANSUR
País sedia, hoje e amanhã, encontro internacional sobre meio ambiente e enfatiza o cumprimento dos acordos da Agenda 21. O Brasil mais uma vez vai cobrar o apoio dos países desenvolvidos na reunião informal de ministros de meio ambiente que, hoje e amanhã, reunirá representantes de 22 países no Hotel Portobello, em Mangaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. O encontro é um dos eventos preparatórios para a sessão da Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente que vai conferir se os países estão cumprindo a Agenda 21 e outros acordos internacionais. A sessão está marcada para abril, em Nova Iorque. Estarão no Rio nove ministros e 14 vice-ministros, além dos dirigentes de programas da ONU sobre meio ambiente. Após o encontro, na terça-feira, os ministros apresentarão uma declaração conjunta. "Um dos pontos a serem cobrados pelo Brasil é a questão da transferência de recursos e de tecnologias limpas para os países em desenvolvimento", antecipa Luiz Antônio Fachini, assessor de assuntos internacionais do Ministério de Meio Ambiente. O governo brasileiro também deverá lembrar que os países desenvolvidos não estão cumprindo os acordos para redução nas emissões de dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. "Está havendo um movimento no sentido de postergar as metas estabelecidas na Rio 92", avisa Fachini. No encontro, o Brasil vai enfatizar seu potencial para usar combustíveis de biomassa. "Mas os Estados Unidos vão cobrar de nós uma ação eficaz contra os desmatamentos", admite Fachini. "Desde a Rio 92, todas as negociações sobre a implementação da Agenda 21 não saíram de um impasse", avisa o cientista político Hector Ricardo Leis, da Universidade Federal de Santa Catarina. "A Agenda 21 estabelecia que os países desenvolvidos destinariam 0,7% do produto interno bruto (PIB) para ajudar as outras nações a implantar projetos de desenvolvimento sustentável. Isto foi retirado da pauta de debates", explica Leis. "Nenhum país pode financiar uma agenda ambiental com problemas crônicos como desemprego e dívida externa", avisa.