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Brasil avança no genoma do câncer

Publicado em 22 julho 2000

São Paulo - O Projeto Genoma do Câncer Humano, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, já produziu 500 mil seqüências de genes humanos expressas nos tumores mais comuns no Brasil. O anúncio foi feito ontem pelo governador Mário Covas, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. A Fapesp anunciou que irá dobrar o valor de investimento para a pesquisa e até o final do ano empregar US$ 20 milhões, contra os US$ 10 milhões previstos no inicio do projeto. Até agora, foram usados US$ 15 milhões nas pesquisas que fizeram os 500 mil seqüenciamento. Os outros US$ 5 milhões devem ser empregados para dobrar a quantidade de seqüências feitas, expandir a área de bioinformática, criar dois bancos de clones e no Projeto Genoma Clínico, ainda em fase de estruturação. "Nossa meta científica será dobrada e ainda mais ousada. Somos pioneiros no projeto Genoma Clínico e devemos ter até o final do ano 1 milhão de seqüenciamentos, com o acréscimo de investimento", afirma José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp. Este projeto vai envolver os médicos, para que eles façam o acompanhamento de seus pacientes levando em conta os aspectos genéticos. "Do ponto de vista de produção de seqüências genômicas do câncer humano, o Brasil é o segundo em todo o mundo", destaca Carlos Henrique de Brito Cruz, presidente da Fapesp. O projeto brasileiro multiplicou por 30 o número de seqüências expressas disponíveis para tumores de cabeça e pescoço, que passaram de 3 mil para 100 mil, e aumentou em 300% o número de seqüências disponíveis para câncer de mama. Trabalham no projeto 30 laboratórios de universidades diversas do Estado de São Paulo, voltados para os tumores de cabeça e pescoço, colo de útero, estômago e mamas. TRABALHO Apesar do rápido progresso e da projeção das pesquisas brasileiras no exterior, ainda há muito trabalho antes de se chegar à cura dos diversos tipos de câncer. "De certa maneira, já existe uma cura com as cirurgias, mas alguns tumores crescem demais e impossibilitam isso". A pesquisa ajudará, inicialmente, na parte da prevenção e do diagnóstico. "A aplicação prática do projeto trará um melhoramento do diagnóstico, ajudando não só a detectar o tumor, como a entendê-lo", diz Andrew Simpson, coordenador da pesquisa sobre o genoma do câncer. "Permitirá também a escolha de alvos para o desenvolvimento de novas terapias e de medicamentos específicos."