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Gazeta Mercantil

BRASIL ASSINA DOIS ACORDOS DE COOPERAÇÃO NA ÁREA DE SATÉLITES

Publicado em 28 maio 1996

Por POR PEPE ESCOBAR DE PARIS
O presidente Fernando Henrique e o presidente da Aérospatiale, Louis Gallois, assinaram ontem à tarde no Palácio Marigny dois acordos de cooperação industrial para aperfeiçoamento de satélites brasileiros. Hoje é assinado o contrato para a construção conjunta de um microssatélite - entre 14 e 15 cm de diâmetro - para sensoriamento remoto, o que permitirá a construção de lançadores de satélite no Brasil, em um futuro ainda não especificado pela Aérospatiale. O presidente também recebeu no Palácio Marigny o presidente da Renault, Louis Schweitzer. Discutiram detalhes da instalação da montadora francesa em Curitiba. Schweitzer qualifica o Brasil como "o maior mercado do mundo entre os países em desenvolvimento". Ressaltou a "presença histórica" da Renault na Argentina e reafirmou sua ampla confiança no sucesso do Mercosul: "A Renault tem uma visão a muito longo prazo. Trabalhamos com uma perspectiva de crescimento". Schweitzer insere a Renault como participante da "segunda onda" de montadoras globais que decidem instalar-se no Brasil, a seu ver "já chegando ao estágio de país industrializado". A Renault pretende instalar apenas uma fábrica, cuja construção deve ser iniciada na próxima primavera brasileira. Dela sairá, a partir do outono de 1999, o Megane - uma espécie de Pointer francês muito bem aceito na França e no Benclux. Mas já se cogita a fabricação de um segundo modelo, no início do século 21. "para uma clientela mais diversificada". A Renault não deve utilizar o Brasil como base de exportação para outros mercados além da América Latina. De acordo com Schweilzer, "toda a nossa estratégia Mercosul já está desenvolvida para os próximos quinze anos". CONTRATO ENVOLVE US$ 8,2 MILHÕES O ministro da Ciência e Tecnologia. Israel Vargas, assinou ontem à noite, em Paris, contrato com a Société Européenne de Propulsion (SEP), uma empresa de capital misto, para fornecimento de bases de ensaio que permitirão ao Brasil adquirir a capacidade de controlar e fazer manobras com satélites. O contrato envolve US$ 8,2 milhões e foi assinado pelo prazo de dois anos. O valor em termos absolutos não é muito grande, conforme admite o próprio ministro, mas tem para o Brasil um significado muito grande, já que é o primeiro contrato firmado na área aeroespacial com a França nos últimos dezessete anos, inaugurando assim uma nova fase de entendimento e de relacionamento técnico e comercial no setor. A Aérospatiale, cujo presidente Louis Gallois foi recebido ontem em audiência pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, tem planos de se aproximar mais do Brasil não só participando das novas concorrências que serão abertas para os satélites na linha Brasilsat, mas também atuando com parceiros nacionais na produção de minissatélites científicos que abrirão um enorme campo de oportunidades nas mais diversas áreas da ciência. (M.C.R.M.P.)