Notícia

Gazeta Mercantil

Brasil adere ao padrão de disseminação de dados

Publicado em 01 outubro 1996

Por Fernando Dantas - de Washington
O Brasil vai aderir ao padrão especial de disseminação de dados ("special data dissemination standard") do Fundo Monetário Internacional até o final de 1998, prazo dado pelo FMI para que os países entrem voluntariamente para o sistema. A decisão foi informada ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, em Washington. O padrão especial do FMI, indicado para países com acesso - ou pretensão de acesso - ao mercado internacional de capitais, traça uma série de regras para divulgação de estatísticas econômicas e financeiras dos países. Um de seus elementos é a chamada "metadata" dos países, que fica acessível a interessados do mundo inteiro em um "site" da Internet. A metadata não são os dados em si, mas informações sobre as práticas contábeis e estatísticas do país - isto é, como ele colhe, processa e divulga suas contas. Um total de 37 países já aderiu ao padrão especial, como Argentina, México, Peru, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, França, Itália, Japão e Suíça. E 22 já fornecem a metadata na Internet, como os já citados, com exceção do Chile, Colômbia, França e Japão. A informação de Malan mostra que o Brasil já superou uma fase de certa má-vontade em relação ao sistema, motivada por diversos fatores. Em primeiro lugar, segundo o ministro, o Brasil tem, na grande maioria dos casos, padrões melhores e mais ágeis de apuração e divulgação das suas contas nacionais e financeiras que os do sistema. Dados diretos sobre as contas financeiras e macroeconômicas brasileiras já estão na Internet. Em segundo lugar, Malan deixou claro que discorda do diagnóstico de que a má informação para os investidores foi uma das causas da crise do México em dezembro de 1994. Essa interpretação foi uma das razões da montagem do sistema pelo FMI. Finalmente, o Brasil tem algumas dificuldades em relação a pontos específicos do padrão especial, como os referentes à consolidação das informações estaduais. Quando estes problemas técnicos forem resolvidos, disse Malan, o Brasil adere ao sistema. O ministro falou também sobre a posição do Brasil em relação às outras pendências do FMI. O País terá um aumento de 30% nas suas alocações de Direitos Especiais de Saque (DES), e não tem ainda uma definição final sobre a sua participação ou não no "New Arrangement to Borrow" (NAB, Novo Arranjo para Empréstimos), um fundo de 34 bilhões de DES que irá complementar o "General Arrangement to Borrow", fundo que pode emprestar dinheiro ao FMI em situações bem definidas. Nas condições atuais, o Brasil não poderia entrar no NAB, mas as mudanças para isso (entre elas, liquidar uma posição devedora com o FMI de aproximadamente US$ 100 milhões) poderiam ser alcançadas rapidamente, segundo Malan. O Brasil é a favor da venda de pequena parcela das reservas de ouro do FMI, como parte de um pacote para ajudar os países muito pobres e muito endividados.