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Jornal da Unesp online

Botucatu recebe da Fapesp equipamento de microdissecção

Publicado em 16 novembro 2011

Uma iniciativa coordenada pela professora Renée Laufer Amorim, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Câmpus de Botucatu, trouxe para a Unesp um sistema de microdissecção, um tipo de microscópio que separa as células e suas organelas (estruturas com funções específicas nas células) por meio de cortes a laser de grande precisão. O equipamento, avaliado em 172 mil dólares, foi financiado pelo Programa Equipamentos Multiusuários da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O microscópio foi instalado em outubro no laboratório Neo Gene, coordenado pela professora Silvia Regina Rogatto, do Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina, Câmpus de Botucatu.

Associada às técnicas de biologia molecular cada vez mais sensíveis, a microdissecção tornou-se uma ferramenta indispensável na pesquisa em patologia. "Ao permitir que o pesquisador distinga e isole as células alvo do estudo das células ou do tecido adjacente, a microdissecção agregará valor à informação obtida, permitirá a realização de trabalhos com alta qualidade tecnológica e a publicação de artigos em periódicos de maior impacto", salienta a professora Renée.

Pesquisa sobre câncer

Frequentemente, a técnica é utilizada como alternativa para contornar os obstáculos impostos pela complexidade dos tecidos. Serve para a obtenção de populações homogêneas de células identificadas morfologicamente e para o isolamento de populações celulares puras ou de células únicas. O método bastante versátil permite análise de DNA, RNA ou proteínas, extraídos por várias abordagens metodológicas. Sua utilização é compatível com uma variedade de tipos celulares, métodos de coloração e protocolos de preservação tecidual que permitem a microdissecção em amostras ou frascos de arquivo.

O equipamento pode ser utilizado para qualquer tecido, mas entre os projetos envolvidos, a principal linha de pesquisa é a oncologia (estudo do câncer). Avanços recentes resultaram na caracterização de alterações genômicas e de perfis de expressão gênica específicos das células tumorais, com grande impacto no diagnóstico, prognóstico e tratamento do câncer.

Na medicina veterinária, o uso desse sistema não é difundido em razão do alto custo do equipamento e por se tratar de uma tecnologia recente. "O grupo envolvido estará também se especializando em tecnologia de última geração, incluindo análise genômica em larga escala", avalia Renée. "O equipamento poderá ser usado utilizado por outros pesquisadores e permitirá a troca e a comparação de mecanismos patogênicos entre a espécie humana e animal nas diferentes afecções avaliadas por esta técnica".

Aquisição

Os equipamentos comprados com o Programa Equipamentos Multiusuários têm alto custo, não sendo possível obtê-los por outras formas de financiamento da fundação, como Auxílios Regulares à Pesquisa e Projetos Temáticos. Para que sejam contempladas, as solicitações devem ser sustentadas por pelo menos três projetos associados de pesquisa, coordenados por diferentes pesquisadores, com sólido histórico de realizações científicas ou tecnológicas, e apoiados pela Fapesp.

O projeto para a aquisição do sistema reuniu treze pesquisadores que atuam em diferentes áreas, como patologia veterinária; clínica e cirurgia veterinária; genética básica e aplicada; morfologia, para estudo de marcadores genéticos; e biologia molecular. São quatro patologistas, quatro morfologistas, dois clínicos e cirurgiões veterinários e três biologistas moleculares que garantem o adequado uso do equipamento em todas as fases do processamento, desde a caracterização morfológica e microdissecção de amostras, até as análises de expressão gênica e detecção de mutações.

Os pesquisadores envolvidos na utilização da máquina são das seguintes unidades da Unesp: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Fmvz), Faculdade de Medicina (FM), Instituto de Biociências (IB), os três do Câmpus de Botucatu, a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (Fcav), Câmpus de Jaboticabal, e o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), Câmpus de São José do Rio Preto. Todos os projetos vinculados estão relacionados aos respectivos programas de pós-graduação de cada unidade.

Sergio Santa Rosa, da Assessoria de Imprensa da FCA