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Borrachudo pode espalhar vírus perigoso, afirmam pesquisadores

Publicado em 26 julho 2017

Dengue, zika, chikungunya e febre amarela foram doenças que preocuparam muito a população e as autoridades nacionais nos últimos tempos. Agora, há um novo vírus de ampla distribuição no Brasil e em outros locais da América do Sul, Central e no Caribe, que oferece uma ameaça à saúde: o oropouche.

O alerta é do professor Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), que esteve presente na palestra sobre vírus emergentes, que aconteceu na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de acordo com a Agência FAPESP.

O vírus preocupa porque já se adaptou ao meio urbano e tem chegado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras. Chamado de oropouche, pertence à categoria arbovírus (vírus transmitido por um mosquito, como o Zika e a febre amarela), causando febre aguda e, eventualmente, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningocefalite).

"O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil", disse Figueiredo durante o evento. O pesquisador informou ainda que existem mais de 500 mil casos de febre do oropouche registradas nas últimas décadas.

O que mais preocupa é que o vetor desse vírus é um mosquito muito comum no Brasil, o Culicoides paraenses, popularmente conhecido como maruim ou borrachudo. Assim, o número de casos da doença deve crescer cada vez mais, uma vez que o vírus está deixando de se restringir aos pequenos vilarejos da Amazônia e agora está se alastrando pelas grandes cidades do país.

"O oropouche é um vírus que tem um grande potencial de emergência, porque o Culicoides paraensis está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil", apontou o professor durante o fórum.

Situação no Brasil

Por aqui, o vírus foi isolado em aves no Rio Grande do Sul, em um macaco sagui em Minas Gerais e foi encontrado a presença de anticorpos neutralizantes (que se ligam ao vírus e sinalizam ao sistema imune que destrua aquele corpo estranho e o impeçam de completar a infecção com sucesso) em primatas em Goiânia, de acordo com a Agência FAPESP.

"Fizemos recentemente, em parceria com o professor Eurico Arruda (do Departamento de Biologia Celular da FMRP-USP) o diagnóstico de um paciente de Ilhéus, na Bahia, com febre oropouche. Isso mostra que o vírus tem circulado pelo país", relatou o especialista. Os pesquisadores da faculdade já tinham identificado 128 casos da doença em 2002, em Manaus, e os sintomas eram típicos de uma infecção, como febre aguda, dores nas articulações, na cabeça e atrás dos olhos.

"Desse total, três deles tiveram uma infecção no sistema nervoso central. O vírus foi encontrado no líquor cefalorraquidiano desses pacientes", afirma Figueiredo. Um desses três pacientes tinha neurocisticercose, uma infecção do sistema nervoso central pela larva da tênia do porco (Taenia solium), e outro também tinha Aids.

Fonte Minha Vida