Notícia

Gazeta Mercantil

Borracha emprega mais em SP e fixa família no campo

Publicado em 07 novembro 2002

A seringueira (cultura da borracha), a exemplo do café, ocupa uma pessoa para cada três hectares, enquanto a média de ocupação na agricultura paulista é de uma pessoa para 10,7 hectares. É o que mostra o estudo "Perfil sócio-econômico da heveicultura no município de Poloni, Estado de São Paulo". Na cultura da borracha, predominam pequenas e médias propriedades, onde as atividades são realizadas pelos proprietários ou pelos parceiros. A parcela mais significativa corresponde à categoria de trabalho parceiros (79%). Os autores do estudo consideram a seringueira uma lavoura estratégica para o emprego agrícola e a fixação de famílias no meio rural. A principal vantagem da cultura da borracha é econômica, além de empregar de mão-de-obra especializada, ser ecologicamente limpa, consumir pouco defensivo, proteger o solo e os mananciais hídricos e fornecer madeira de qualidade. Pau-brasil em São Paulo O Instituto de Botânica, órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado, iniciou esta semana mapeamento das ocorrências de pau-brasil no estado de São Paulo. A pesquisa, a cargo do pesquisador Yuri Tavares Rocha, vai se estender até o dia 22, passando por Campinas, Paulínia, Piracicaba, Iperó, Botucatu, Bauru, Jaboticabal, Ribeirão Preto, Franca, Mogi-Guaçú, Ilhabela e Santos, consistindo na coleta de material botânico, registro fotográfico e de coordenadas geográficas, entrevista com administradores e pesquisadores e levantamento de dados bibliográficos e históricos. Guardadas as devidas proporções, o pesquisador repete as expedições dos naturalistas do século 19, só que munido de recursos modernos como o GPS, ou 'Global Positionning System', aparelho que fornece as coordenadas geográficas por meio de satélites, e no lugar de trilhas percorridas em lombos de burros, estradas asfaltadas. A expedição faz parte do Projeto Pau-brasil, como os pesquisadores do Instituto de Botânica nomeiam o projeto "Caesalpinia echinata Lam, (pau-brasil): da semente à madeira, um modelo para estudos de plantas arbóreas tropicais brasileiras", financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp. O projeto, sediado no Instituto de Botânica, é coordenado por Rita de Cássia Leone Figueiredo Ribeiro, pesquisadora da Seção de Fisiologia e Bioquímica de Plantas, com a participação de Cláudio José Barbedo, pesquisador da Seção de Sementes e Melhoramento Vegetal, e Yuri Tavares Rocha, pesquisador da Seção de Ecologia e doutorando do Departamento de Geografia, da Universidade de São Paulo. Várias instituições, como a Universidade de São Paulo e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, entre outras, inclusive internacionais, participam do projeto iniciado em 2001, com término previsto para 2004, com abordagens como a distribuição geográfica e história de exploração; diversidade polínica e variabilidade genética; maturação, armazenamento e germinação de sementes; propagação e cultivo 'in vitro'; manejo de bosque homogêneo; padrão anatômico do lenho; estrutura, propriedades físicas e mecânicas da madeira; suscetibilidade e resistência de plantas aos poluentes aéreos urbanos; e sanidade biológica de árvores adultas. O pesquisador vai buscar evidência científica da ocorrência natural do pau-brasil no Estado de São Paulo e pesquisar os plantios realizados em vários campos universitários, parques, bosques e jardins botânicos. São plantios estimulados pela importância botânica, histórica e simbólica da espécie, visando a conservação da variabilidade genética da espécie e objetivando a ampliação do conhecimento científico sobre a mesma. Além disso, o pau-brasil é uma árvore de grande efeito ornamental, com flores amarelas manchadas de vermelho e um perfume marcante e agradável. Atualmente a madeira, que era objeto de tráfico intenso no período colonial para a retirada de corante vermelho para tecidos, é usada no fabrico de arcos de instrumentos musicais de corda.