Notícia

Diário do Comércio (SP)

Bons negócios e idéias. Só falta pesquisa

Publicado em 06 abril 2009

O brasileiro é criativo por natureza, mas isso nem sempre se aplica quando o assunto é inovação nos negócios. Tanto que 84% dos micros e pequenos empreendedores não consideram o próprio produto inovador, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2008), realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e produtividade (IBQP). Isso significa que, embora tenham boas ideias, esbarram em questões como pesquisa, financiamento e capacitação na hora de concretizá-las.

Nesta segunda entrevista realizada pelo Diário do Comércio sobre empreendedorismo, Bianca Martinelli, gerente da Área de Busca e Seleção do Instituto Empreender Endeavor, explica que o empreendedor brasileiro sofre de falta de informação.

Segundo ela, existem organizações públicas e privadas – como a própria Endeavor – capacitadas a auxiliar o empresário a trilhar o caminho das pedras rumo à inovação.

Um estudo realizado com micros e pequenos empresários pelo Sebrae apontou que 84% não consideram o próprio produto inovador. Por que isso ocorre?

Embora a pesquisa contemple a percepção do empreendedor, ela também demonstra uma realidade: muitos empreendedores aqui no Brasil deixam de inserir inovação em sua bandeira de negócios por causa de desinformação e desconhecimento das formas de realizar e financiar pesquisas – às vezes até a custo zero. Infelizmente, muito disso ainda acontece por falta de conhecimento.

Onde o empreendedor pode buscar essa informação?

Existem instituições públicas, como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que apoiam programas de pesquisas. A Finep, por exemplo, possui programas de fundo de inovação de R$ 450 milhões, fornecidos, muitas vezes, a fundo perdido, ou seja, sem custo para o empreendedor. Entretanto, durante o processo de seleção de empreendedores do Endeavor, quando os incentivamos a fazer projetos de pesquisa junto à Finep, percebemos que a maioria não sabe que o governo oferece esse tipo de programa.

É possível mudar essa postura?

É isso o que nós tentamos fazer. A Endeavor existe em países emergentes para desenvolver o empreendedorismo de alto impacto. Nosso papel é ajudar esse empreendedor com ideias grandiosas e com potencial para criar empresas prósperas que vão colocar em prática esses planos. Somos voltados principalmente para empreendedores cujas empresas faturam de R$ 2 milhões a R$ 30 milhões por ano.

Qual é a atuação da Endeavor?

Atuamos de duas maneiras: por meio da geração de exemplos, quando buscamos no mercado empreendedores com potencial e os capacitamos e usamos como modelos de inspiração para outros. E, por meio da disseminação do conhecimento, quando nos comunicamos com empreendedores em geral, independente do grau de desenvolvimento deles, por meio de nosso site (www.endeavor.org.br).

Muita gente vai se voltar para o empreendedorismo por causa da crise. O que essa pessoa que pretende iniciar um negócio deve levar em conta em relação à inovação?

Em momentos de crise, como esta em que vivemos, empresas que vão crescer são aquelas que têm relevância e inovação. A pequena empresa consegue desenvolver isso de uma forma muito menos burocrática do que as grandes. O que o empreendedor precisa fazer é se capacitar. Por exemplo, submeter seu projeto a uma incubadora, que poderá dar respaldo para a empresa progredir.