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Bom controle glicêmico reduz declínio da mobilidade em idosos com diabetes (43 notícias)

Publicado em 22 de julho de 2024

Perda de velocidade de caminhada é processo natural do envelhecimento que pode se acentuar por quadro de diabetes mal controlado, diz UFScar

Estudo realizado com 3.202 pessoas idosas mostrou que o controle adequado da glicemia, em diabéticos, é capaz de amenizar o declínio da velocidade de caminhada. A lentidão em pessoas idosas é um importante indicador de mobilidade e está associada à perda de independência e ao maior risco de quedas, hospitalização, institucionalização e morte.

Resultados do trabalho indicam que o mau controle glicêmico, e não o diabetes em si, é um discriminador do declínio da velocidade de caminhada em pessoas idosas independentemente das condições prévias de mobilidade. Assim como, pode servir como uma ferramenta de triagem precoce para o risco de diminuição do desempenho funcional na população idosa.

“Já se sabia que o diabetes tinha um impacto negativo na velocidade da caminhada de pessoas idosas. O que não sabíamos, e o resultado do estudo nos surpreendeu muito, foi quanto o controle glicêmico adequado pode reduzir esse processo. Na comparação, as pessoas idosas com diabetes [controlado ou não] tiveram uma redução da velocidade de caminhada maior do que aquelas que não tinham a doença. No entanto, nos indivíduos com adequado controle glicêmico essa redução foi muito menor. Isso é mais um alerta para a importância de controlar o nível glicêmico”, diz à Agência FAPESP Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e orientador do estudo, que teve financiamento pela FAPESP.

Vale destacar que, geralmente, o controle glicêmico possui avaliação por meio dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) no sangue. Desse modo, o parâmetro que reflete a quantidade de açúcar circulante. Nos indivíduos com diabetes, a meta glicêmica é atingida quando os níveis de HbA1c estão entre 6,5% e 7,0%. Portanto, o que caracteriza o adequado controle glicêmico. Já níveis de HbA1c acima de 7,0% correspondem a um pior controle glicêmico.

Comparação O trabalho, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, é o primeiro a comparar a evolução do processo de lentidão entre pessoas idosas diabéticas com e sem adequado controle glicêmico.

Para isso, houve a análise de um banco de dados de 3,2 mil britânicos com mais de 60 anos acompanhados por oito anos no âmbito do Projeto ELSA (acrônimo em inglês para Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento). Realizado por pesquisadores do University College London (Reino Unido), esse estudo longitudinal coleta dados multidisciplinares de uma amostra representativa da população britânica. A análise dos dados sobre diabetes e lentidão teve realização pelo grupo da UFSCar.

“O declínio anual da velocidade de caminhada nos participantes com diabetes e pior controle glicêmico foi de 0,015 metro por segundo [m/s] por ano, totalizando uma redução de 0,160 m/s em oito anos. Dado que a velocidade de caminhada para uma pessoa idosa deve ser superior a 0,8 m/s, o declínio verificado foi de um quinto do valor considerado normal. Já nos participantes com diabetes e adequado controle glicêmico, o declínio anual da velocidade de caminhada também ocorreu, mas foi de 0,011 m/s por ano, totalizando uma redução de 0,130 m/s em oito anos”, conta Mariane Marques Luiz, que conduziu a pesquisa durante seu doutorado na UFSCar.