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Blog Limpinho e Cheiroso

Bolsonarismo de Skaf envergonha São Paulo

Publicado em 08 janeiro 2020

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), envergonha o setor ao trabalhar pela organização do partido do presidente Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, no estado.

Ao se aliar ao presidente, Skaf amarra a elite paulista “ao que há de mais imundo e atrasado na tradição política brasileira”, diz Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo.

“A elite paulista, que já financiou a Semana de Arte Moderna de 1922, a USP e o Masp, agora patrocinará a doença mental de Olavo de Carvalho? Os empreendedores bandeirantes defendem o negacionismo climático? Aliás, que modelo de empreendedorismo os federados de Skaf pretendem oferecer aos jovens paulistas, a startup “Escritório do Crime”?”, lista o articulista, entre outras barbáries defendidas pelo presidente e seus correligionários.

Caso o empresariado paulista siga Skaf rumo ao bolsonarismo, pode-se dizer que assinaram sua desistência: segundo Barros, os segmentos econômicos que não foram capazes de competir globalmente se uniram ao populismo autoritário.

“Talvez a indústria brasileira, em franco declínio, abrace o bolsonarismo como os antigos mineiros do norte da Inglaterra abraçaram o Brexit. Vale lembrar, o bolsonarismo se distingue de outros autoritarismos da mesma safra pelo apoio que tem nas elites”, pontua o articulista.

Embora Bolsonaro tenha vencido a eleição em São Paulo, ele representa o contrário da visão que São Paulo já foi. “São Paulo é suas universidades, é o centro da ciência nacional, é a Fapesp. Bolsonaro é censura ao Inpe, guerra às universidades e negacionismo climático”, afirma Barros. “São Paulo foi o berço dos dois melhores partidos que o Brasil já teve, PT e PSDB. Bolsonaro é uma infecção oportunista nascida das crises dos dois”.