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Bolsista da FAPESP é primeira a defender tese no IAC

Publicado em 08 fevereiro 2013

O Programa de Pós-Graduação do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, teve, em 2012, sua primeira defesa de tese de doutorado. O curso de doutorado foi criado em 2009 e a defesa ocorreu no ano do 125º aniversário do IAC.

A tese foi defendida por Ludmila Bardin Camparotto, que se dedicou por três anos ao estudo do tema “Regiões climáticas e qualidade natural de bebida do café arábica no Estado de São Paulo”, para o qual teve Bolsa da FAPESP. O trabalho foi orientado por Marcelo Bento Paes de Camargo, pesquisador do IAC.

Bardin Camparotto iniciou sua carreira profissional como estagiária, em 2000, no Centro de Ecofisiologia e Biofísica do IAC, quando cursava o 3º ano do ensino médio e continuou o estágio ao ingressar no curso de Engenharia Ambiental, em 2001.

“Espero que não somente eu, mas todos os alunos que passaram pelo IAC e se sentiram em casa tenham a oportunidade de trabalhar e seguir uma carreira neste renomado Instituto”, disse Bardin Camparotto.

“Esta defesa abre muitas oportunidades para a Pós-Graduação do IAC e ao Instituto, pois cria maiores oportunidades de internacionalização do curso, incremento nas produções científicas e técnicas e consolidação do curso, que são pontos importantes para elevá-lo ao nível de excelência”, disse Adriana Parada Dias da Silveira, coordenadora da Pós-Graduação do IAC.

Bardin Camparotto explica que o objeto de pesquisa foi escolhido em razão do crescente mercado de cafés especiais e gourmet, tornando importante a identificação de áreas com alto potencial climático para a produção de bebidas de qualidade.

“A utilização de modelos agrometeorológicos associados a sistemas de informações geográficas podem auxiliar na indicação de áreas mais favoráveis à expansão da lavoura cafeeira”, disse.

A doutoranda esclarece que a qualidade final da bebida é influenciada pelos tratos culturais, cultivar, plantio, controle de pragas e doenças, tipo de colheita, processamento dos grãos, tipo de secagem, armazenamento entre outros.

Entretanto, durante o estudo, Bardin Camparotto delimitou áreas com diferentes potenciais climáticos à produção de cafés com qualidade de bebida natural superior.

Com isso, o mapa final de Índice Climático de Qualidade (ICQ) indicou uma estimativa do potencial de qualidade das principais áreas produtoras de café no Estado de São Paulo com base em parâmetros climáticos.

“Regiões do Estado de São Paulo como da Alta Mogiana, montanhas da Mantiqueira de São João da Boa Vista e de Bragança Paulista possuem áreas com alto potencial climático”, afirmou.

O trabalho de Bardin Camparotto resultou em novas equações para estimativa de temperaturas médias mensais para o Estado de São Paulo e em mapas de épocas prováveis de maturação para as cultivares Mundo Novo, Catuaí e Obatã, do IAC.

Segundo o IAC, em um segundo momento, os resultados indicaram áreas com diferentes potenciais climáticos para a produção de bebidas com qualidade superior no Estado de São Paulo.

“A espacialização dos valores de ICQ evidenciou áreas mais favoráveis à expansão da lavoura cafeeira visando à produção de bebidas com qualidade superior no Estado”, afirma a estudante.

Bardin Camparotto estima que a variação do ICQ no Estado ajudará os produtores a planejar o sistema produtivo do café. Além disso, o aumento do cultivo do café em áreas com esse alto potencial climático poderá melhor suprir o mercado interno e externo com cafés especiais.

Fonte: Agência FAPESP