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O Dia (Rio de Janeiro, RJ)

Bolsista da Faperj e ex-aluna da Unigranrio se destaca no FarmeLab

Publicado em 19 novembro 2020

Pós-doutoranda na Universidade Federal Fluminense (UFF), com bolsa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), a carioca Gabriela Ramos Leal, de 34 anos, está entre os dez finalistas internacionais do Farmelab, maior festival de divulgação científica do mundo, organizado pelo British Council. No último fim de semana, ela foi anunciada como vencedora da etapa nacional da competição. Agora, na fase internacional, a disputa é com cientistas de mais 31 países. Gabriela é a primeira mulher negra e também primeira médica-veterinária a ganhar o Farmelab no Brasil. A carioca se formou na Universidade do Grande Rio (Unigranrio), em Duque de Caxias, e fez mestrado e doutorado em Clínica e Reprodução Animal pela UFF, tendo ainda um período sanduíche na Universidade de Adelaide, na Austrália.

Para chegar à etapa internacional, o trabalho de Gabriela foi um dos 30 selecionados entre os 100 inscritos. Em seguida, foram escolhidos dez para concorrer na final nacional. Todas as fases podem ser assistidas pelo canal do festival no YouTube. No FameLab, os jovens pesquisadores são desafiados a contar, em apenas três minutos, um conceito científico de forma simplificada para atingir diversos públicos, que são avaliados por uma comissão externa sobre os três Cs: conteúdo, clareza e carisma.

Com um copo e gelo na mão, camiseta de super-heróis e um conceito em mente, Gabriela iniciou o vídeo de inscrição para a competição. "O Capitão América é ficção mesmo, mas o poder do gelo é ciência!", enfatiza a pesquisadora em seu vídeo, ao explicar sobre a importância da criopreservação de embriões.

Na etapa final, a carioca abordou a utilização de cavalos para produção de anticorpos, como soros antiofídicos e novas pesquisas com Covid-19. Gabriela revelou que a escolha de temas para apresentar durante as fases do concurso buscou mostrar um lado da medicina veterinária que não é conhecido pela sociedade.

"As pessoas pensam que se você não tem um pet, o médico veterinário não é necessário. E isso, na verdade, é uma necessidade de comunicação para que elas entendam qual é a importância da medicina veterinária num contexto de saúde pública", afirma a estudante. Além dela, mais cinco jovens cientistas representaram o Rio de Janeiro na final da competição científica.

Secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria Isabel de Castro, falou sobre a importância em ter pessoas como Gabriela representando o Rio na competição.

"A Gabriela é um excelente exemplo que temos de como a ciência, quando simplificada, consegue atravessar fronteiras e fazer as pessoas enxergarem o mundo por uma nova perspectiva. Tê-la como bolsista na nossa vinculada, Faperj, é motivo de orgulho para nós. Só mostra que estamos no caminho certo, de fomentar a ciência, tecnologia e inovação no estado, para que mais inspirações como a Gabriela sigam transformando o mundo", disse.

O FarmeLab

O evento foi lançado em 2005 pelo Festival de Ciência de Cheltenham, na Inglaterra, e é realizado em vários países pelo British Council. É considerada, hoje, uma das maiores competições de divulgação científica do mundo. O objetivo é promover a aproximação entre cientistas e o público em geral, por meio da contextualização e abordagem de temas científicos no dia a dia da sociedade, além de incentivar o desenvolvimento de competências em comunicação, em especial a habilidade oral.

Tradicionalmente no concurso, os jovens recebem um treinamento em comunicação científica com a especialista britânica Wendy Sadler e o especialista brasileiro Ronaldo Christofoletti. O desafio é apresentar um conceito científico de forma clara e carismática em três minutos. Este ano, a migração da inciativa para o não presencial trouxe um novo obstáculo. "O palco foi uma câmera. Então, existiram algumas adequações necessárias durante o treinamento, para desenvolver suas habilidades de contar em frente a uma câmera", ressalta ele. No Brasil, a iniciativa está em sua quarta edição e conta com a parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).