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Brasil Econômico

Boeing e Embraer investem em biocombustível no Brasil

Publicado em 27 outubro 2011

Por Rafael Palmeiras

A americana Boeing anunciou ontem que vai investir em pesquisa e desenvolvimento de bio-combustíveis para a aviação. O objetivo é atingir a meta de redução de 50% até 2050 das emissões de CO2 na atmosfera determinada pelo Grupo de Ação para Transporte Aéreo (Atag, na sigla em inglês).

Sem informar o valor do investimento, a fabricante de aeronaves atuará em parceria com a Embraer e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Em passagem pelo Brasil, o presidente internacional da Boeing, Shephard W. Hill, explicou que a intenção do estudo é criar uma indústria de produção e distribuição de combustíveis de aviação bioderivado. "Vamos iniciar o estudo identificando estruturas e matérias primas. Porém, a adoção dos combustíveis vai depender do mercado. Temos a tecnologia mas precisamos descobrir se ela será viável para as empresas."

De acordo com o executivo, não é de interesse da Boeing comercializar o combustível. "Vamos firmar parcerias para a distribuição desse produto", diz.

O estudo, que deve ser concluído até o fim de 2012, conta com o apoio das principais companhias aéreas. Donna Hrinak, presidente da Boeing no Brasil explica que Azul, Gol, Tam e Trip atuarão como consultoras estratégicas do programa. "O Brasil já mostrou sua liderança no desenvolvimento de biocom-bustíveis para o tranporte terrestre e reunir pessoas para criar fontes de energia para aviação é a coisa certa a ser feita em nossa indústria", diz a executiva. Em 2013, as empresas envolvidas no projeto devem instalar no Brasil um centro de pesquisa do biocombústivel.

Segundo Hill, o Brasil é o local ideal para o investimento em pesquisa e desenvolvime-nhto. "O país possui uma posição ideal para a pesquisa, pois o estudo está alinhando com o foco do governo, além de possuir boas características na produção de matérias-prima." Em setembro, a Embraer e a GE deram o primeiro passo para o uso de biocombustíveis na aviação civil. Promoveu uma série de voos de teste com um jato Embraer 170 para avaliar as características do uso do combustível HEFA (ésteres e ácidos Gra-xos Hidro-processados) em diversas condições de voo.

A Boeing registrou no terceiro trimestre lucro líquido de US$ 1,1 bilhão. O resultado representa alta de 31% ante os US$ 837 milhões obtidos no ano anterior. Segundo a companhia, foram entregues 127 aeronaves comerciais. No período de julho a setembro, houve também aceleração de 4% na receita em relação ao ano anterior, que atingiu US$ 17,7 bilhões.

No fim do terceiro trimestre, a carteira de pedidos firmes(backlog) totalizava US$ 332 bilhões. O resultado de pedidos ficou 2,8% acima do volume do visto no segundo trimestre.

O saldo das dívidas cresceu para US$ 12,4 bilhões no final do trimestre, ante US$ 11,6 bilhões, devido à emissão de novas dívidas da Boeing Capital Corporation. A empresa projeta para 2011 faturamento de US$ 70 bilhões e entregas de 480 jatos comerciais.