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Cruzeiro do Sul

Boas posições corporais previnem dores nas costas

Publicado em 02 setembro 2011

Para levantar da cama, o ideal é virar de lado, apoiando os braços, jogar os membros inferiores para fora da cama, sentar e levantar calmamente

Estudos indicam que 80% da população ativa sofre, ou vai sofrer, de dores na parte inferior das costas em algum momento da vida. Recente pesquisa feita na Espanha mostra que carregar peso excessivo influencia negativamente na quantidade de nutrientes presentes nos discos da coluna. As células precisam de glicose, mas o excesso de ácido láctico, por exemplo, pode ser prejudicial porque interrompe a nutrição e pode dar início a um processo degenerativo. Este tipo de pesquisa não foi conduzida em seres humanos vivos.

No entanto, muitos dos incômodos na coluna são frutos de mau posicionamento em casa ou no trabalho. E a conseqüência são lombalgias, tendinites, encurtamento de grupos musculares, entre outros problemas. A equipe de fisioterapeutas do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Cristiane Guimarães, Lucimary Lopes e Elina Monteiro respondem a algumas questões que podem ajudar a evitar ou amenizar as dores nas costas:

Como levantar-se da cama?

O ideal é virar de lado apoiando os braços, jogar os membros inferiores para fora da cama, sentar e levantar calmamente.

Posição correta para dirigir, como deve estar posicionado o banco?

Inclinação de 110º a 120º no encosto, braços ligeiramente flexionados, região lombar bem apoiada e pescoço reto.

Como sentar-se em frente ao computador?

A coluna deve estar apoiada, os pés apoiados no chão, os cotovelos flexionados com apoio e os olhos voltados ao centro da tela.

Qual a melhor posição para dormir?

Recomenda-se a posição lateral com o travesseiro suprindo a altura cabeça-ombro. Quem desejar pode usar um travesseiro entre os joelhos dobrados.

Como pegar uma criança no colo?

A sugestão é agachar-se com a base larga, mantendo as costas retas, trazendo-a junto ao tronco.

Como andar de bicicleta?

Deve-se manter o tronco ereto, mantendo o selim na altura do quadril.

Como carregar as sacolas de compras?

Distribuir os pesos nos dois braços, manter os ombros nivelados e o olhar voltado para frente.

Como assistir televisão no sofá?

Manter uma boa distância entre a TV e o sofá, coluna apoiada e ligeiramente inclinada, pés apoiados no chão.

Como varrer?

Manter altura do cabo da vassoura na linha do peito, mantendo o quadril estático enquanto os braços fazem os movimentos.

Como lavar louça?

Aproximar o abdômen junto à bancada, se possível com um apoio de um dos pés em um degrau. Vale evitar tensionar a região cervical (pescoço).

Pisada desequilibrada pode prejudicar a saúde

Existem três tipos de pisada: neutra, pronada e supinada

Muitas pessoas que sentem dores na coluna, nos quadris ou nos joelhos não sabem que a causa pode estar escondida na maneira como se pisa! "Observar o desgaste da sola do calçado é uma forma simples de avaliar se há algo errado com a sua pisada", explica Benjamin Apter, especialista em Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício e diretor da rede de academias B-Active.

Pesquisas mostram que existem três tipos de pisada:

* Neutra - a pisada se inicia no lado externo do calcanhar e com uma rotação moderada termina no centro da planta do pé.

* Pronada - a pisada se inicia no lado externo do pé, mas com uma rotação acentuada termina no dedão. A sola se desgasta mais na parte interna.

* Supinada - a pisada se inicia no lado externo do calcanhar, mantêm o contato com o solo nesta região e termina no dedinho do pé. O solado costuma se desgastar mais rapidamente na parte externa.

"Para corrigir este problema, é preciso procurar ajuda profissional. Hoje em dia, é possível fabricar palmilhas que se adequam exatamente aos pés e corrigem os desequilíbrios da pisada", esclarece Apter. "Testes dinâmicos, realizados com o auxílio de uma plataforma eletrônica, registram a impressão plantar dos pés e, a partir dos resultados, é confeccionada uma palmilha personalizada".

Esta tecnologia mostra-se mais eficaz do que os testes estáticos, que foram a base da fabricação de palmilhas durante muitos anos. "A avaliação dinâmica consegue identificar os pontos de maior contato durante a pisada. Inclusive, é possível notar diferenças entre o pé esquerdo e o direto e, assim, fabricar palmilhas que corrijam os desequilíbrios de cada lado corpo".

Mutação genética é identificada

Inchaços na pele, principalmente no rosto, órgãos genitais, tórax, mãos e pés, podem indicar uma doença rara, pouco conhecida e muito confundida com reações alérgicas a alimentos e medicamentos. Trata-se do angioedema hereditário.

A moléstia autossômica dominante, causada por uma mutação genética, foi tema de uma pesquisa coordenada pela professora Luisa Karla de Paula Arruda, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), que investigou a doença em cinco gerações de uma família de Carmo do Rio Claro (MG).

O estudo, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular e publicado na revista Allergy, da Academia Europeia de Alergia e Imunologia, avaliou 275 pessoas da mesma família.

"O objetivo foi determinar o tipo de mutação genética no inibidor da proteína C1 que causa a doença. Nele, observamos a ausência de um nucleotídeo do DNA. É uma mutação que não havia sido identificada em outras famílias", disse Arruda à Agência FAPESP.

Existem mais de 200 mutações genéticas responsáveis pelo angioedema com descrição na literatura científica. "Na família estudada foi detectada a deleção heterozigota de uma citosina no exon 3 [segmento codificador] do gene serping1, que codifica a proteína C1. É como se uma única peça fosse capaz de alterar toda a estrutura do gene e, consequentemente, a proteína que ele codifica", disse.

O inibidor de C1 impede diversas vias metabólicas no organismo, uma das quais é responsável pela produção da bradicinina, substância que atua na dilatação dos vasos aumentando a permeabilidade. Na ausência da bradicinina, o líquido transborda para os tecidos e causa o edema.

A doença se manifesta por meio de inchaços, caracterizados pela ausência de vergões, dor e coceira. Os inchaços são muitas vezes desencadeados por situações de estresse e chegam a durar entre 48 e 72 horas. "Nesse período, o paciente deve ser tratado de forma rigorosa. Caso contrário, ele pode morrer de asfixia, por conta do edema das vias aéreas", ressaltou Arruda.

"O mais complicado é o tratamento das crises. Recentemente, foi lançado no Brasil um medicamento que atua na inibição do receptor da bradicinina. É importante compreender a doença, pois ela tem um tratamento muito específico", disse.

Entre os primeiros sintomas - que surgem em torno dos 10 anos de idade - e o diagnóstico pode levar cerca de uma década. "Grande parte dos médicos desconhece a doença devido à sua raridade. Quando há vários casos na família, pode ser mais fácil identificá-la", afirmou Arruda.

Para identificar o angioedema, a pesquisadora conta que são feitas análises laboratoriais nas quais são determinadas a quantidade e a atividade enzimática do inibidor de C1, além da dosagem de C4 - proteína cujo nível reduz quando há a mutação. "O diagnóstico final, e mais preciso, seria identificar uma mutação no gene, como fizemos nessa família. Porém, isso não é rotina", disse.

"A doença não tem cura, mas podemos ajudar no que chamamos de aconselhamento genético. Em um recém-nascido - de uma família portadora do angioedema - é possível realizar os exames já nos primeiros meses para dizer se a criança tem ou não a mutação", destacou. (Agência Fapesp)