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Boa ideia transforma declínio em ascensão

Publicado em 26 junho 2010

Abertura do mercado em 1990 derrubou as vendas de insumos de ferro-liga e não ferrosos, mas o herdeiro enxergou outro nicho entre as sucatas. Desde os 13 anos Ivan Barchese acompanhava o pai na empresa Mextra, fundada em 1978 e dedicada à produção de ferro-liga e metais não-ferrosos. Com sede em Diadema (SP), a fábrica era voltada à produção de matéria-prima para a indústria de soldagem, fundição e siderurgia, e até o final dos anos 1980 ia bem, tendo faturado US$ 5 milhões anualmente.

Com a abertura do mercado brasileiro na década de 1990, a Mextra perdeu mercado e seu faturamento despencou para US$ 800 mil por ano. Foi aí que Barchese, à época com 16 anos, assumiu o lugar do pai para tentar reverter a situação. Para mudar o cenário era preciso transformar a gestão e área de atuação, lembra o empresário. "Sabia que não dava mais para continuar oferecendo o mesmo produto. A abertura do mercado fez nosso preço deixar de ser competitivo", afirma.

Foi nesse momento que ele desenvolveu um produto para a indústria do alumínio. "Não existiam no Brasil essas ligas para a indústria de alumínio, componente essencial para a confecção de qualquer peça que utilize o metal", afirma. Fonte alterada Não foi só isso que mudou. A matéria-prima também foi modificada. Enquanto o pai de Barchese comprava o pó de minério para seus produtos, Barchese começou a adquirir sucata. De latinhas de refrigerante à sucata de ferro, tudo era matéria-prima para ele.

Com custo muito mais baixo, por isso mesmo, a Mextra se especializou no processo de fusão e solidificação de alumínio, produzindo ligas com características especiais para atender às necessidades específicas dos clientes e setores da metalurgia. A partir do alumínio primário e sucata, a empresa produz alumínio em pó, alumínio líquido e ante-ligas de alumínio em lingotes, que são insumos para alguns processos. As ante-ligas são necessárias para endurecer e dar resistência, sendo obrigatórias para a produção desde latinhas de bebidas até outros itens mais resistentes.

Segundo Henio De Nicola, coordenador da comissão de reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio, o Brasil tem em média 2,5 mil empresas que fabricam ligas com uma produção anual média de 450 mil toneladas. "Temos muitas empresas de produção de liga para a siderurgia, algumas pequenas e outras que dominam o mercado, conheço o processo da Mextra e o produto final que ele vende apresenta uma forma diferenciada do que normalmente se vê no setor, as pastilhas facilitam na logística", afirma De Nicola.

Recursos da FAPESP

O processo inovador ao qual o especialista se refere foi desenvolvido com um recurso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Barchese conseguiu a patente desse processo de fabricação de liga de ferro e alumínio. A inovação está no molde final da produção das pastilhas, que são responsáveis por 40% do faturamento da Mextra.

Segundo De Nicola, normalmente o produto final é entregue em pó, em latas. A solução criada por Barchese foi desenvolver esta liga como se fosse uma pastilha de sonrisal, que adicionada ao alumínio em estado líquido derrete na hora. A patente foi registrada em cinco países. Com três fábricas no Brasil e uma na China, a empresa de Barchese fatura hoje mais de US$ 8 milhões, um valor 10 vezes maior do que quando assumiu a empresa em 1998. Entre os principais clientes da Mextra, hoje há gigantes da indústria de metais como Alcoa Brasil, Alcan Brasil e Estados Unidos e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do Grupo Moreira Salles.