Notícia

Jornal do Commercio Brasil (SP)

BNDES capta US$ 1 bi lá fora

Publicado em 29 maio 2008

Por Adriana Chiarini, da Agência Estado

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou ontem US$ 1 bilhão em títulos com vencimento em 2018 no exterior. É a primeira captação externa em mercado feita pelo BNDES durante o governo Lula. O presidente da instituição, Luciano Coutinho, informou que a captação estava sendo realizada ontem pela manhã, para ser uma das fontes de recursos dos R$ 80 bilhões da meta de desembolsos do banco para este ano. O Banco também está preparando outra captação de US$ 6 bilhões em lançamento de debêntures por meio do BNDESPar, seu braço de participações.

As principais fontes do BNDES são o retorno das operações já realizadas e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Coutinho evitou dar detalhes. "O bookbuilding (processo de formação de preços) está sendo fechado agora", disse ele ao justificar que não informaria as condições de juros da captação neste momento. Os líderes da operação foram o Citigroup e o Morgan Stanley.

De acordo com a agência Dow Jones, fontes ligadas à operação informaram que a procura foi quase três vezes a oferta e o banco conseguiu vender os papéis sem deságio e o juro nominal é de 6,369%, 2,375 pontos percentuais acima dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano para o mesmo prazo. No total, cerca de 120 contas distintas compraram papéis do BNDES. A maior parte dos papéis ficou com investidores brasileiros e norte-americanos, seguidos por europeus e asiáticos.

Fundo para Amazônia

Na rápida entrevista ontem, Coutinho confirmou também a criação do fundo para a Amazônia, anunciado na terça-feira pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e que será administrado pelo BNDES. Coutinho informou que o diretor do banco João Carlos Ferraz está em Oslo (Noruega) negociando a doação de recursos daquele país para este fundo ambiental.

Coutinho ainda informou que o banco aprovou na terça-feira um investimento de R$ 27 milhões por meio de seu Fundo Tecnológico (Funtec) um laboratório de estruturas leves, que será construído e instalado em São José dos Campos (SP). Os recursos vão para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Finep e Embraer também estão contribuindo, totalizando com o dinheiro do BNDES, R$ 100 milhões. "Isso terá implicações importantes para Embraer, inclusive para fabricação de satélites", disse Coutinho.