Notícia

Planeta Osasco

Blog do Planalto: O supercomputador Tupã

Publicado em 19 janeiro 2011

A população brasileira precisa ter a cultura da prevenção dos riscos de desastres naturais. E o modelo ideal é aquele desenvolvido no Japão. Lá, todos são capacidados por meio de treinamento a enfrentar as mais diversas situações de catástrofes. A avaliação é do novo secretário de Políticas e Programas de Pesquisas e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, em entrevista ao Blog do Planalto. Ele informou que o supercomputador Tupã, que entra em operação este mês, na unidade do INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], no município de Cachoeira Paulista (SP), é uma ferramenta importante no sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais.

"O Brasil não é imune aos riscos de novas tragédias. Elas estão ocorrendo agora com mais frequência. Temos que começar com o plano. Não podemos esperar o próximo ano, as próximas chuvas", disse.

O supercomputador Tupã, adquirido por meio de licitação internacional, é uma das peças fundamentais nesta engrenagem de previsão e alerta dos desastres naturais. Adquirido junto à Cray Inc., o equipamento passará a gerar previsões de tempo mais confiáveis, com mais dias de antecedência, e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para cinco quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo. Será possível prever ainda eventos extremos com boa confiabilidade, como chuvas intensas, granizo, geadas, nevoeiros, ventos fortes, ondas de calor, entre outros.

De acordo com o INPE, estas melhorias serão perceptíveis aos usuários das previsões quando a nova infraestrutura computacional de alto desempenho do CPTEC entrar em operação agora em janeiro. O novo supercomputador custou R$ 50 milhões, sendo R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e R$ 15 milhões da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Carlos Nobre afirmou ao Blog do Planalto que o Tupã é uma das pontas deste sistema. Outros equipamentos a se somaram neste contexto são o pluviômetro e o radar meteorológico. Ou seja, enquanto o computador produz informações matemáticas, o pluviômetro afere a quantidade de chuva numa determinada região e o radar produz detalhamento sobre a incidência das preciptações. Esta quantidade de dados permite ao sistema alertar estados e municípios que serão atingidos pelos desastres naturais.

Para cobrir o território nacional, segundo Nobre, serão necessários mais 700 pluviômetros. O secretário assegurou que a indústria nacional tem condições de atender a demanda por este equipamento. Com relação aos radares, o país já dispõe de 20 equipamentos e seriam adquiridos mais 15 unidades para fechar o cerco de visualização do país. Num primeiro instante, o foco deste monitoramento seria nas cerca de 800 áreas de risco de deslizamentos e inundações. De acordo com o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, cinco milhões de pessoas moram nestas regiões.

"O mapeamento do risco vai dizer se pode ocorrer escorregamento de terra. Neste instante a informação é repassada para a Defesa Civil que, bem instrumentada, poderá fazer análise no local sobre os riscos de tragédia", explicou o secretário.