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Bioware inova na produção do óleo de origem vegetal

Publicado em 16 maio 2003

Por Fabiana Pio
Três pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) após oito anos de estudo resolveram fundar a Bioware, localizada na Incubadora de Base Tecnológica da Unicamp, para a produção industrial do bio-óleo — um novo combustível de origem vegetal capaz de substituir o óleo combustível e o diesel. Uma planta piloto foi construída em uma grande cooperativa privada de produtores de cana, açúcar e álcool, cujo nome não foi divulgado. Segundo José Dilcio Rocha, um dos sócios da Bioware, é possível obter o bio-óleo em fração de segundos a partir do bagaço de cana-de-açúcar, serragem e casca de arroz. "A planta piloto alimenta até 200 quilos de palha por dia. Queremos ampliar a produção para uma escala industrial. Para isso seriam necessários cerca de R$ 2 a R$ 3 milhões. Estamos em busca de um investidor para que essa tecnologia seja uma realidade no mercado nos próximos dois anos", diz o pesquisador. TECNOLOGIA O bio-óleo é obtido a partir de um processo inovador denominado pirólise rápida, que consiste na queima ou degradação térmica da biomossa a partir do reator de leito fluidizado borbulhante. "Somos o único grupo do País que detém o know-how desse processo. Essa é a tecnologia mais simples para a obtenção do bio-óleo", diz Rocha. Para o desenvolvimento dessa tecnologia já foram investidos cerca de R$ 500 mil provenientes de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Segundo o pesquisador, existem no mundo cerca de 30 grupos que estudam essa tecnologia. Na América Latina, há uma pequena indústria que utiliza tecnologia alemã e um grupo industrial em Cuba. Além disso, existem três empresas no Canadá, Estados Unidos, Europa e também na Austrália. "Essa é uma tecnologia limpa e ecologicamente correta. O petróleo um dia irá acabar, e o Brasil detém vantagem competitiva já que é rico em biomassa", diz Rocha. De acordo com o pesquisador, o processo desenvolvido produz bio-óleo, carvão fino e gás. Mas, o bio-óleo é o produto principal com até 75% de rendimento. Isso significa que de 100 Kg de bagaço de cana-de-açúcar são produzidos 75 Kg de bio-óleo. APLICAÇÕES De acordo com Rocha, são inúmeras as aplicações do bio-óleo: ele pode ser usado na indústria alimentícia, pode também substituir o fenol derivado do petróleo na fabricação de resina. Ele também tem aplicação na construção civil servindo como aditivo para a fabricação da argamassa. Além disso, pode ser usado como fertilizante de liberação lenta de hidrogêneo. Por ser uma tecnologia limpa, o pesquisador afirma que ela terá importante papel quando for assinado o Protocolo de Kyoto. "Poderemos vender créditos de carbono para os países industrializados", diz Rocha. A Bioware também oferece cursos e consultorias nas áreas relacionadas com o assunto.