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CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia

Biotecnologia pode salvar araucária da extinção

Publicado em 25 agosto 2014

A araucária, ou pinheiro-brasileiro, já foi abundante na mata atlântica mas hoje ocupa apenas 3% de sua área original. Essa redução drástica na variabilidade genética da espécie a coloca em sério risco de extinção. Entretanto, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão empenhados em salvar a árvore. Por meio da biotecnologia, eles identificaram mais de 24 mil genes ligados à formação do embrião da araucária e de sua semente, o pinhão. A descoberta, publicada na revista Plant Cell Tissue and Organ Culture, poderá contribuir para o desenvolvimento de um sistema de reprodução in vitro da planta.

As informações genéticas contidas no DNA da araucária vão permitir aos cientistas um controle maior sobre o processo de reprodução da espécie. Técnicas avançadas de biotecnologia podem então ser usadas na produção de embriões vegetais, no congelamento dos mesmos e na clonagem em massa. A coordenadora do Laboratório de Biologia Celular de Plantas (Biocel) do Instituto de Biociências (IB) da USP, Eny Iochevet Segal Floh, ressalta a relevância do estudo. “Os dados gerados possibilitarão obter marcadores para o aprimoramento da técnica de micropropagação, que é a produção de milhares de clones a partir de uma única célula ou pedaço de tecido vegetal”, explica Floh.

A araucária possui cico de vida longo, podendo durar séculos. Entretanto, demora cerca de 15 anos para atingir a maturidade reprodutiva e a formação da semente pode levar até quatro anos. Essas características, somadas ao fato de sua madeira ter alto valor no mercado, exigem que medidas de preservação sejam tomadas imediatamente, usando ferramentas biotecnológicas para driblar o demorado processo natural de reprodução. “A clonagem in vitro, associada ao congelamento e à seleção assistida por marcadores moleculares, vem sendo incorporada aos programas de melhoramento genético de árvores” revela a pesquisadora.

Plantas como a araucária, que vivem em ambientes de clima frio ou temperado, representam mais de 50% das reservas florestais do planeta. Além de fornecerem madeira, fibra e energia para a indústria florestal, são importantes fonte de biocombustíveis e atenuadores dos efeitos das mudanças climáticas.

Fonte: Agência Fapesp e Plant Cell Tissue and Organ Culture, Agosto de 2014