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Biotecnologia para a cana é tema de estudo

Publicado em 01 junho 2011

Um estudo realizado por cientistas ligados ao Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) confirmou pela primeira vez em cultivares comerciais de cana-de-açúcar que os genes associados ao teor de sacarose apresentam alterações de acordo com o potencial de rendimento de biomassa da planta.

Publicado na revista Plant Biotechnology Journal, o trabalho teve impacto importante na comunidade científica internacional e foi considerado artigo altamente acessado pelo periódico. A publicação foi feita em fevereiro e, em abril, os editores já comemoraram a marca de 1,6 mil downloads contabilizados.

O fato de reunir em um mesmo estudo dados de fisiologia, genômica funcional e produção é o que explica o alto nível de interesse despertado pelo estudo, de acordo com a autora principal do trabalho, Glaucia Mendes de Souza, professora do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do BIOEN-FAPESP.

Pela primeira vez um artigo reúne o conhecimento sobre fisiologia e genômica aos dados tecnológicos relacionados a cultivares de cana-de-açúcar voltados para a produção de bioenergia. Várias empresas de biotecnologia estão iniciando programas de melhoramento da planta e há um interesse muito grande da indústria em trazer biotecnologia para a cana-de-açúcar, disse Souza à Agência FAPESP.

Os outros autores do artigo são Alessandro Waclawovsk, Paloma Sato, Carolina Lembke todos do Departamento de Bioquímica do IQ-USP e Paul Moore, do Centro de Pesquisa em Agricultura do Havaí (Estados Unidos).

Segundo ela, o estudo trata da chamada cana-energia, que não precisa necessariamente ter grande quantidade de açúcar, mas sim muita biomassa o que corresponde a muita produtividade.

De acordo com Souza, além de uma revisão sobre o tema, o artigo também agrega dados novos obtidos em um projeto, que faz parte do BIOEN, e é realizado em cooperação com o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA) da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa).

A Ridesa é colaboradora do Projeto Temático Sinalização e redes regulatórias da cana-de-açúcar, iniciado em 2008 com coordenação de Souza e financiamento da FAPESP.

Todo esse trabalho teve base em estudos anteriores relacionados à cana-de-açúcar para produção de bioenergia, que também se dedicavam a avaliar o potencial de rendimento e a regulação do teor de sacarose da planta, disse.

Esses primeiros estudos sobre o tema tiveram início a partir de uma colaboração entre o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e as pesquisas do projeto Transcriptoma da cana-de-açúcar, financiado pela FAPESP no Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

Potencial de rendimento

Hoje, temos plantações que rendem 80 toneladas por hectare em média, mas estima-se que o máximo teórico de rendimento chegue a 380 toneladas por hectare. Fala-se muito em melhoramento, mas era preciso quantificar o potencial dessa cultura. Nossa pergunta era: o quanto podemos realmente melhorar a cana-de-açúcar?, explicou Souza.

O estudo anterior, no entanto, abordava os genes associados ao teor de sacarose da cana-de-açúcar, mas não incluía dados sobre cultivares comerciais, limitando-se a dados sobre clones de progênies, sem variabilidade genética.

O novo trabalho considera o cálculo de potencial de rendimento, mas traz também a confirmação de que os genes associados ao teor de sacarose estavam alterados em cultivares comerciais. O estudo apresenta a análise de genes associados à produtividade e apresenta dados fisiológicos dos cultivares para mostrar que a planta de alto rendimento acumula sacarose mais cedo no decorrer do ano, disse.

O artigo Sugarcane for bioenergy production: an assessment of yield and regulation of sucrose content , de Glaucia Mendes de Souza e outros, pode ser lido por assinantes da Plant Biotechnology Journal em http://onlinelibrary.wiley.com .

Foto: Arquivo Cultivar

Fábio de Castro

Agência FAPESP

agencia@fapesp.br