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Biotecnologia engatinha no Brasil carente de investimentos privados

Publicado em 30 junho 2011

Por Por Guilherme Felitti

O setor de biotecnologia no Brasil é novo, focado em saúde, concentrado no Sudeste e altamente dependente dos investimentos federais. A conclusão é do Brazil Biotech Map 2011. O mapeamento consultou 145 empresas brasileiras e foi feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) a pedido da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec).

A característica nacional que salta aos olhos é a dependência de dinheiro público: 78% das empresas brasileiras de biotecnologia ouvidas usam verbas provindas de agências como Finep, Fapesp, Fapemig e Faperj ou do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), afirma Carlos Torres, pesquisador do Cebrap responsável pelo mapeamento, durante a BIO 2011, onde a pesquisa foi apresentada.

A região Sudeste concentra 78,1% das empresas, com São Paulo na liderança seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre as áreas de atuação, saúde se destaca, responsável por mais da metade do setor, se considerarmos as startups dedicadas a saúde humana (40%) e a saúde animal (14%).

A biotecnologia brasileira têm fortes laços com a academia, tese que Carlos reforça com duas informações: 94,5% das empresas consultadas têm alguma relação (pesquisa ou incubação) com universidades e quase metade (46,4%) tem menos de dez funcionários. O entrave está em sair da academia e montar um negócio próprio que explore com sucesso financeiro as pesquisas. A falta de estrutura reflete também os primeiros passos do mercado de biotecnologia no Brasil: 63% das empresas foram fundadas a partir de 2000.

A dependência de dinheiro público é consequência da falta de investimentos privados, principalmente dos estágios sede e venture capital, nas startups. "Em biotecnologia, você tem ricos muito maiores que em outras áreas. Para saúde, por exemplo, são várias fases de testes. O gasto com pesquisa, desenvolvimento e inovação é muito alto˜, diz Carlos. Cria-se um círculo vicioso: com pouco dinheiro, pesquisadores empreendem pouco. Com poucos empreendimentos, fundos não se interessam em investir.

*O repórter Guilherme Felitti viajou à BIO 2011 por convite da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec)