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Alcoolbrás

Biotecnologia cria variedades resistentes e precoces

Publicado em 01 outubro 2009

Seis anos após sua criação, a CanaVialis apresentou as primeiras variedades de cana - tempo recorde para os padrões de desenvolvimento do setor. As séries CV Pégaso e CV Centauro agora estão disponíveis para serem multiplicadas para uma área semi-comercial - as primeiras variedades da empresa foram desenvolvidas para serem colhidas no início da safra - com brotação e fechamento rápido. Mas não deixam de lado a tolerância a pragas como a broca da cana.

A nomenclatura das variedades é a marca mais visível de uma empresa de melhoramento de cana-de-açúcar que nasceu diferente - por meio de uma parceria entre o Grupo Votorantim e um grupo de cientistas. No final do ano passado, a CanaVialis foi adquirida pela Monsanto - juntamente com a Alellyx, uma empresa de genômica aplicada que se dedica ao desenvolvimento de pesquisas com biotecnologia. A primeira cria o material adequado para receber a biogema da segunda. Agora as duas empresas trabalham em marcadores moleculares para identificar os tipos de genes desejáveis nas novas variedades.

Na biofábrica da empresa, em Campinas / SP, minúsculos fragmentos de uma planta são cuidadosamente tratados e replicados durante sete meses até se transformarem em 320 clones. Um minitolete gera substratos. E os meristemas extraídos são regenerados e multiplicados, explica o novo presidente da CanaVialis, Ivo Fouto.

Os primeiros mapas genéticos e a obtenção das primeiras plantas modificadas geneticamente surgiram no Brasil há quase 20 anos. No fim da década de 1990 a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp deu o pontapé no projeto Genoma da Cana, com a identificação de 50 mil genes da planta.

A Embrapa investe em projetos de desenvolvimento de cana-de-açúcar transgênica há cerca de três anos. As características que serão incorporadas à planta visam principalmente a atender às demandas do Nordeste. Na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio já existem 50 pedidos de liberação de pesquisas biotecnológicas da cultura da cana.

Na tarefa de combater as pragas agrícolas, a genética também tem avançado sobre o campo da engenharia química: o CTC firmou parceria com a Dow AgroSciences para o desenvolvimento de variedades resistentes às principais pragas que incidem sobre as lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, como a broca-do-colmo - a Dow fornecerá a tecnologia de sua biblioteca Bt e o CTC entra na parceria com seu maior banco de germoplasma disponível no País.

Em outro acordo de cooperação na área de melhoramento genético e biotecnologia da cana, firmado com a Basf, o CTC irá desenvolver variedades resistentes à seca.

O principal órgão de pesquisa do setor sucroalcooleiro acaba de liberar duas novas variedades com alto teor de sacarose, resistência a doenças e adaptação à colheita mecanizada - as variedades CTC 19 e CTC20 formam a quinta geração com a marca do CTC e são anunciadas junto a uma ferramenta virtual que se baseia em análises do tipo de clima e solo para recomendações varietais.

Do aumento de produtividade à redução do uso de insumos agrícolas, a adoção da engenharia genética deve criar, definitivamente, uma nova forma de cultivar a cana-de-açúcar. Os cientistas já aprenderam a ler o código genético. Agora irão começar a reescrever a sua história.