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Biotecnologia cresce na área farmacêutica

Publicado em 16 janeiro 2004

Por Gabriel Attuy
Laboratórios farmacêuticos voltados à pesquisa e desenvolvimento de medicamentos a partir de biotecnologia como Serono, Genosys e Eli Lilly cresceram em 2003 de 20% a 30% e esperam manter o ritmo nos próximos anos, apesar de a queda em vendas e faturamento da indústria farmacêutica nacional. De acordo com dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), o setor teve queda de 7,2% em vendas e de 8.5% em faturamento, no ano passado. No final de 2003, o segmento no Brasil estava com 60% de capacidade ociosa e passou de sétimo para décimo no mercado mundial. Segundo Rubens Pedrosa. diretor-geral da Serono no Brasil, a razão para isso é que as vendas de produtos biotecnológicos — medicamentos desenvolvidos através do cultivo em laboratório de microrganismos e células que produzem hormônios, antibióticos e outras substâncias usadas para tratamento de doenças — se comportam de maneira diferente em relação ao mercado farmacêutico tradicional. "Nós atuamos com produtos novos, focando doenças para as quais as terapias tradicionais não apresentam resultado satisfatório. Ao lançar uma novidade biotecnológica, muitas vezes trazemos a única opção de tratamento no momento", afirma Pedrosa. Cerca de 80% dos produtos da Serono, que estima um faturamento de US$ 30 milhões no Brasil em 2003, são produzidos a partir de engenharia genética, e a empresa pretende crescer em torno de 20% neste ano com a implementação de uma nova área voltada à dermatologia. A Serono faturou cerca de US$ 1,8 bilhão no mundo em 2003 e investe 23% dos resultados em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Os produtos comercializados no Brasil hoje, destinados ao tratamento de esclerose, distúrbios de metabolismo e de crescimento, são importados da matriz da empresa na Suíça. Empresas nacionais também estão investindo na engenharia genética, como a Genosys Biotecnologia, que irá lançar no mercado até junho um hormônio de crescimento em parceria com o laboratório Braskap. Segundo Jaime Leyton, sócio e gerente da Genosys, a empresa espera faturar de R$ 2,5 a 3 milhões no primeiro semestre após o lançamento do produto e atingir R$ 10 milhões em 2005. "Após a entrada no mercado, esperamos crescer em torno de 30% ao ano", diz Leyton. A companhia foi fundada em 1997 com financiamento de US$ 300 mil do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A produção da droga será feita pela Braskap, que investiu R$ 1 milhão na construção de uma planta em Sorocaba (SP) e atualmente fabrica antibióticos e presta serviços na fabricação e embalagem de medicamentos. O Eli Lilly, maior laboratório farmacêutico do mundo na venda de medicamentos de origem biotecnológica, comercializa hoje oito produtos dessa área, além de antibióticos, analgésicos, remédios para doenças do coração e outros. As vendas no Brasil chegaram a US$ 25 milhões no ano passado. Segundo André Feher, a biotecnologia será cada vez mais aproveitada pela indústria farmacêutica. "Com a descoberta do genoma humano, a engenharia genética tende a ocupar cada vez mais espaço dentro das empresas", afirma Feher. Em 2002, a Lilly faturou US$ 11,1 bilhões no mundo e US$ 133 milhões no Brasil; a empresa investe anualmente cerca de US$ 2 bilhões em pesquisa. De acordo com Rubens Pedrosa, a agência regulatória norte-americana Food and Drug Administration (FDA) prevê que em dez anos o registro de novos produtos biotecnológicos irá ultrapassar os registros dos farmoquímicos nos Estados Unidos. "No Brasil a estimativa é que esse mercado represente ainda apenas 5% do total do setor farmacêutico, mas a primeira grande onda de resultados práticos em pesquisa de biotecnologia está aparecendo e a expectativa é que o País acompanhe o ritmo norte-americano, com alguma defasagem".