Notícia

Jornal de Piracicaba

Biota mapeia biodiversidade do Estado

Publicado em 30 novembro 2008

Conhecer toda a biodiversidade remanescente do Estado de São Paulo para propor ações mais efetivas de conservação. Este é o objetivo do Programa Biota-Fapesp ­ O Instituto Virtual da Biodiversidade, formado por aproximadamente 1.300 pesquisadores das mais diversas áreas, como química, fauna, flora, microrganismo, entre outros, que atuam em todas as regiões do Estado, seja ela Mata Atlântica, cerrado, restinga ou litoral.

Ao coletar e estudar os dados da biodiversidade do Estado, os pesquisadores podem encontrar formas de proteger fragmentos de forma adequada, diminuir a extinção de espécies e recuperar espécies que estão em processo de extinção. "Para isso, temos que conhecer a biodiversidade, entender como ela funciona na natureza e depois disso, propor ações mais efetivas de conservação e até de recuperação", afirma o coordenador-geral do Biota, Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). 

De acordo com ele, o Biota age desde a caracterização das espécies que ocorrem no Estado ­ e as interações dessas espécies com o ambiente, até a relação delas com o homem. O Biota, que completa dez anos em 2009, tem hoje 85 projetos temáticos desenvolvidos pelos pesquisadores ­ 30% deles sêniores e 70% de alunos de iniciação, mestrado e doutorado. Todos os dados coletados são armazenados em um banco de dados que contém informações que permitem o seu uso para diversas coisas. Para conhecer mais do Programa Biota/Fapesp, basta acessar www.biota.org.br .

Dados estão disponíveis

"As informações estão disponíveis para a comunidade científica e para a população em geral. Nossa intenção é que essas informações possam sustentar políticas públicas no Estado de São Paulo", diz o coordenador-geral do Biota, Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). É exatamente nesse sentido é que o Biota vem trabalhando. Nesses nove anos, o programa já utilizou, aproximadamente, R$ 60 milhões. A análise dos projetos apresentados é feita pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

 A biodiversidade do Estado tem particularidades em função da história de ocupações, mas é muito semelhante ao que ocorre no sudeste em geral. Recentemente, o Biota criou um sub-programa ­ o BIOprospecTA, cujo objetivo é usar a biodiversidade para investigar ocorrências de princípios ativos que possam servir à sociedade. "A idéia é procurar fármacos nessa biodiversidade, inclusive ajudando na proposta da manutenção desses fragmentos, já que são espécies que têm valor farmacêutico", explica Rodrigues.

Anualmente, o Biota realiza um simpósio de troca de experiências entre todos os projetos. Um bom exemplo da qualidade do trabalho feito pelos pesquisadores do Biota foi a identificação de muitas espécies novas, que nem eram citadas no Estado de São Paulo. "Atualmente estamos numa proposta muito forte de conseguir institucionalizar o programa, para que as universidades o assumam, além da Fapesp", diz.

O Estado de São Paulo é o mais industrializado do País, e atualmente é coberto por imensos canaviais e fragmentos florestais significativos de sua flora original, que somam 3.457.301 ha, correspondendo a 13,94% de sua superfície. Apesar do histórico intenso de degradação, estes fragmentos ainda abrigam uma flora e fauna muito diversas, incluindo até onças-pintadas e pardas, além de muitas outras espécies ameaçadas de extinção. No entanto, apenas cerca de 25% desta área total está protegida na forma de Unidades de Conservação, administradas pelo poder público. O restante está sob o domínio do setor privado paulista, com grande destaque para o setor agrícola. Em face desta realidade, o Programa Biota/Fapesp, numa parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Instituto de Botânica, Instituto Florestal, Fundação Florestal, Conservação Internacional -Brasil, com o Laboratório de Ecologia da Paisagem da Universidade de São Paulo e Centro de Referência em Informação Ambiental, realizou o workshop "Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade do Estado de São Paulo", que teve duração de aproximadamente 18 meses.  Essa etapa foi finalizada com a publicação de um livro, que leva o mesmo nome.