Notícia

Jornal da USP

BIOTA FAPESP

Publicado em 18 fevereiro 2002

O programa Biota/Fapesp lança a mais nova revista on-line sobre a biodiversidade brasileira. Biota Neotropica (região da América que vai do México até a Patagônia), uma publicação eletrônica que disponibiliza tudo o que vem sendo pesquisado, em nível de mestrado e doutorado, nas universidades, centros e institutos de pesquisa do País sobre a conservação e uso sustentável da fauna e flora brasileiras. Vale lembrar que não precisa estar necessariamente participando do Projeto Biota/Fapesp. O pesquisador que estiver desenvolvendo algum tipo de pesquisa ligado a essa área pode enviar seu artigo para a revista. "O objetivo é disponibilizar informações relevantes para o conhecimento da biodiversidade da região neotrópica", ressalta o professor Carlos Alfredo Joly, editor responsável. Para quem não sabe, Biota é um programa de pesquisa em conservação sustentável da biodiversidade do Estado de São Paulo, ou seja, um instituto virtual, resultado da articulação da comunidade científica em torno das premissas levantadas durante a Eco-92 e ratificada pelo Congresso Nacional em 1994. O programa objetiva inventariar e caracterizar a biodiversidade do Estado de São Paulo, definindo mecanismos para sua conservação, avaliando seu potencial econômico e possibilidades de utilização sustentável. A proposta do Biota, segundo Joly, é formar uma espinha dorsal padronizada para as informações e disponibilizá-las em rede. Assim poderá ser usada por professores do ensino fundamental e médio e não só pelos professores do ensino acadêmico, ampliando a divulgação da pesquisa científica Desde 1996, o Biota vem buscando se estruturar e foi oficializado em 1999, a partir de um diagnóstico realizado para conhecer a biodiversidade do Estado. Como proposta, o programa tem várias ferramentas que podem ser utilizadas pelos pesquisadores. Entre elas o banco de dados, uma base cartográfica e agora a revista on-line. TECNOLOGIA E DISSEMINAÇÃO Também professor de ecologia vegetal do Instituto de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp), Joly ressalta que a preocupação maior desse programa é reunir em um único projeto a elevada fragmentação das informações disponíveis em todo o Estado, tornar os mapas de campo mais atualizados e fomentar uma política ambiental que contenha e reverta o desaparecimento de hábitats e espécies nativas. "Outro aspecto importante, é diminuir o distanciamento entre pesquisadores que detêm, e continuam a gerar, as informações científicas e técnicas de alta qualidade sobre a diversidade e os órgãos que propõem ou administram as políticas de conservação e uso sustentável dos recursos naturais do Estado", analisa. Devido ao avanço da tecnologia e a disseminação da Internet no Brasil, a concepção e a formulação do Programa Biota/Fapesp podem servir de exemplo para a construção de novos programas de conservação para outros Estados. Joly afirma que esse programa não tem só a proposta de dar continuidade à tarefa de descrever e catalogar espécies, mas também desenvolver projetos de pesquisa que incorporem os aspectos estruturais e funcionais da biodiversidade, a distribuição espacial e temporal dos organismos e as relações entre seus componentes nos diversos níveis organizacionais. Sem contar a necessária valorização da biodiversidade e a tentativa de estabelecer vínculo entre os serviços e produtos da diversidade biológica e os sistemas produtivos. Os projetos vinculados ao Biota/Fapesp devem compreender os processos geradores e mantenedores da biodiversidade, incluindo também aqueles que podem reduzir os mecanismos prejudiciais. Devem sistematizar a coleta de informações relevantes para a tomada de decisões sobre as prioridades de conservação e o uso sustentável; divulgar todas as informações geradas de maneira ampla, rápida e livre; melhorar a qualidade do ensino e os princípios fundamentais da conservação e do uso sustentável da diversidade biológica. DIGITAL E INTERATIVA A partir da criação do Programa Biota/Fapesp, ocorreu concomitantemente o início dos Projetos Temáticos aprovados e o desenvolvimento das ferramentas de integração dos dados coletados pelos projetos que integram o Instituto Virtual da Biodiversidade. Essas ferramentas, afirma Joly, como o banco de dados textuais e a base cartográfica digital na escala 1:50 mil foram recentemente integradas pelo SinBiota - Sistema de Informação Ambiental do Biota. Esse sistema conta com dados de mais de 4 mil espécies de plantas, animais e microorganismos registrados no Estado. Os dados aparecem na forma de uma ficha preenchida pelos pesquisadores ou representados graficamente sobre uma versão digital - e interativa - do mapa. Mais que um banco de dados dos 31 projetos, o SinBiota é uma ferramenta virtual para a definição de estratégias de conservação. Para o editor responsável, a funcionalidade das ferramentas de integração desenvolvidas pelo programa poderá, brevemente, ser replicada em outros Estados do País. "Idealmente, em alguns anos teremos diversos Biotas que, interconectados, resultarão em um Biota/Brasil." A Biota Neotropica é uma revista eletrônica científica, ou seja, só exite em formato on-line. Uma comissão editorial formada ad hoc analisa todos os artigos de colaboradores, a fim de que a publicação possa se caracterizar como uma revista científica tradicional. Tem como preocupação publicar resultados de pesquisas originais, vinculadas ou não ao programa, que abordem a conservação e uso sustentável da biodiversidade na região neotrópica. São artigos, inventários, short communications, revisões temáticas, revisões taxonômicas e resumos de teses de doutorado ou dissertações de mestrado. "O importante de ser em formato on-line é não apresentar limitação de espaço para a veiculação de imagens coloridas, mapas, fotos, gráficos e todos os outros recursos disponíveis na Internet", esclarece Joly. Os trabalhos serão aceitos em português ou inglês. Devem obrigatoriamente ter um título, resumo e palavras-chave. Excepcionalmente, em 2001 foi publicado apenas um número da revista que compõe o volume 1, número 1/2. A partir deste ano a publicação será semestral, e todo material disponibilizado eletronicamente até 30 de junho de 2002 fará parte do volume 2, número 1 e assim sucessivamente. Enquanto a revista Biota Neotropica se encontrar em fase de implantação, não será cobrada nenhuma taxa para a publicação eletrônica dos manuscritos. No futuro, será montado um sistema que lhe dê sustentabilidade econômica. Projeto Biota/Fapesp - www.biota.org.br, Biota Neotropica - www.biotaneotropica.org.br, Fapesp - www.fapesp.br