Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Biota-Fapesp ganha segundo Prêmio Ford no momento em que planeja a próxima década

Publicado em 16 dezembro 2009

O Programa Biota-Fapesp conquistou pela segunda vez o Prêmio Ford, um dos mais importantes e tradicionais concedidos no Brasil para a área de conservação da biodiversidade. O primeiro prêmio veio em novembro de 1999, quando o programa, recém-lançado, venceu na categoria "Iniciativa do Ano", em reconhecimento ao esforço de articulação da comunidade científica e da Fapesp em criar um programa de pesquisa integrando pesquisadores e instituições do Estado de São Paulo em torno das premissas estabelecidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica.

Este segundo Prêmio Ford chega exatamente dez anos depois, com o Biota-Fapesp reconhecido internacionalmente como uma experiência bem sucedida, sendo que a vitória na categoria "Ciência e Formação de Recursos Humanos" se justifica plenamente: o programa forneceu subsídios para o aperfeiçoamento da legislação paulista na área de conservação e recuperação da biodiversidade nativa; formou 169 mestres, 108 doutores e 80 pós-doc; gerou 750 artigos em periódicos nacionais e internacionais, 16 livros e dois atlas; e ainda vem servindo de modelo para outros estados brasileiros e para um programa nacional em discussão no CNPq.

A nova premiação acontece, também, no momento em que o Plano de Metas e Estratégias para os próximos dez anos vem sendo submetido a críticas e sugestões dos pesquisadores da área. "Revisitamos os objetivos do Biota colocados há mais de dez anos e fizemos uma atualização. Muitos objetivos ainda são válidos e continuaremos a persegui-los, mas com as ferramentas que temos hoje e priorizando áreas que não pudemos cobrir adequadamente na primeira década", afirma o professor Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, que foi reconduzido à coordenação do Biota-Fapesp no início do ano.

Uma das áreas descobertas, segundo Carlos Joly, é da educação, visto que uma das metas do Biota era produzir material didático para os ensinos fundamental e médio. "Afora experiências pontuais na Faculdade de Educação da Unicamp e na Unesp de Botucatu, não conseguimos livros ou audiovisuais para serem efetivamente utilizados em sala de aula, o que é muito importante. Isso requer um envolvimento maior de pesquisadores da educação, já que nós, da biologia, não dominamos essa linguagem - e isso é uma provocação aos educadores".

Outra conclusão da coordenação é que existem pouquíssimas informações no sistema Biota sobre o litoral sul do Estado de São Paulo, apesar da riqueza de seus extensos manguezais. "É outra interface pouco explorada na primeira fase e, por essa razão, a primeira chamada para novos projetos, feita pela nova coordenação, é na área de biodiversidade marinha, com preferência para trabalhos que se desenvolvam do centro para o sul do litoral paulista".

Joly adianta que mais um objetivo é incorporar novas metodologias e ferramentas de genômica que possam auxiliar no inventário e na caracterização de organismos capazes de produzir substâncias ou moléculas de interesse econômico. "A ideia é recorrer à metabolômica para transformar os resultados da Rede Biota de Bioprospecção e Ensaios (BIOprospecTA) em produtos de interesse para a indústria cosmética, farmacêutica ou de alimentos".

As chamadas dimensões humanas da conservação ambiental, de acordo com o coordenador, merecerão atenção maior na próxima década, considerando que o território paulista apresenta fragmentos de vegetação dentro de uma matriz de produção agropecuária e urbana. "Não estamos falando da conservação de uma floresta contínua. E, nas unidades de conservação, precisamos trabalhar a questão das populações em seu interior e no entorno, identificando propostas para que elas consigam perpetuar suas tradições, mas com melhor qualidade de vida".

O Plano de Metas e Estratégias para 2020, como observa Carlos Joly, prevê uma interação bem maior com pesquisadores de outras áreas, como de ecologia humana, ciências sociais e economia. "Aqui na Unicamp, vamos aproveitar um dos Fóruns Permanentes para apresentar a grande diversidade de projetos e temáticas que cabem dentro do Biota. Talvez, os outros pesquisadores não submetam seus projetos por acharem que se trata de um programa apenas para biólogos, quando a ideia é justamente montar equipes com especialistas de várias unidades".

Carlos Joly lembra que a Unicamp está sediando a Secretaria do Biota-Fapesp, contribuindo com infraestrutura e pessoal para manutenção e desenvolvimento de novas ferramentas para o banco de dados do programa, além de assegurar espaço para reuniões e eventos. Dessa forma, conforme acordo entre a Fapesp e as três universidades paulistas, as instituições assumem a parte operacional, administrativa e de manutenção do Biota, enquanto a agência continuará financiando as pesquisas. "A Unesp fez o mesmo, sediando a parte de bioprospecção, e a USP estava apenas aguardando a mudança de reitoria".