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Brasil Econômico

Biominas terá fundo de R$ 250 milhões com gestora

Publicado em 28 novembro 2009

A Fundação Biominas vai completar 20 anos no início de 2010. Neste tempo, participou da criação de 43 empresas de biotecnologia.

Quinze delas ainda estão incubadas. Dezesseis se graduaram, ou seja, conseguem se manter no mercado sem a ajuda da incubadora. Outras 12 foram beneficiadas com parte de um investimento, administrado pela Biominas, de US$ 6 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O presidente da entidade, Eduardo Soares, afirma que os resultados do trabalho são evidentes, especialmente entre os principais clientes da fundação, os pesquisadores. "Hoje, a ideia do empreendedorismo é mais clara. O pesquisador entende a importância das patentes e já encara o negócio próprio como opção de carreira", afirma Soares.

E o que falta para a fundação realmente dar seu trabalho por completo? "Atrair os investidores. As empresas de biotecnologia crescem muito devagar porque falta capital. Sem casos evidentes de retorno, os investidores fogem e continuamos apenas com empresas de crescimento lento. Temos que quebrar esse ciclo", diz.

Hora certa

Essa mudança deve começar a ocorrer em 2010. Até o meio do ano, em parceria com a gestora FIR Capital, a fundação deve formar um fundo de R$ 250 milhões, que será integralmente aplicado em ciências da vida.

"Vamos provar ao mercado que a biotecnologia é um bom negócio.

Daremos tranquilidade ao investidor, mostrando que pode colocar seu dinheiro no negócio porque também estamos colocando o nosso", explica Soares. "A ideia é aproveitar os juros mais baixos para apresentar as empresas de biotecnologia como uma alternativa interessante de investimento."

Dados de mercado

Segundo levantamento realizado pela fundação e divulgado no último mês de julho, o Brasil tem hoje pelo menos 253 empresas privadas de biociências, número 40% maior do que o de 2007. Só 22,9% dos empresários conseguiram financiamento de órgãos públicos.

Pelo levantamento, a maioria dessas empresas, 44,4% gerou receitas de até R$ 1 milhão em 2008. Porém, uma fatia significativa, de 17,3%, ainda não teve faturamento.

Em geral, as companhias com mais de 15 anos de mercado registram faturamento demais de R$10 milhões. O lucro, em média, é de R$1,5 milhão.

Apesar dos bons resultados, o setor ainda tem dificuldade de se capitalizar. O engenheiro José Fernando Perez, ex-presidente da Fapesp e sócio da Recepta, afirma que, em biociências, não há grau de risco, como em investimentos mais convencionais.

"Temos incertezas mesmo. Uma pesquisa nem sempre temo resultado esperado. Logo, o dinheiro aplicado nela não volta", explica. "Mas isso não é impeditivo. Da experiência da Fapesp e agora de empreendedor, posso dizer que há mais dinheiro em circulação do que bons projetos".

O importante é saber construir um bom plano de negócios e atribuir valor ao seu portfólio. A Recepta contou com uma parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

"Alunos de pós-graduação estiveram na empresa e ajudaram a fazer a avaliação do portfólio", afirma Perez. "Na verdade, o investidor quer mesmo é ser seduzido". Pelo visto, é nisso que a Biominas vai se concentrar no próximo ano.